“Olho de Lince – A Incrível História da Família Malapata” (Porto Editora, 2023), de Álvaro Magalhães, é um livro que conquista os jovens leitores pela aventura cheia de ritmo, mistério, situações inesperadas e humor a que o autor já nos habituou. Ao longo de décadas, a obra de Álvaro Magalhães tem desempenhado um papel essencial na formação de jovens leitores, aproximando crianças e jovens dos livros através da criatividade, da ironia, da liberdade imaginativa e do humor, o qual surge como alavanca para despertar a curiosidade, estimular a imaginação e desafiar o olhar do leitor sobre o mundo.
Desta vez, o autor apresenta-nos a excêntrica família Malapata, um grupo de personagens tão peculiares quanto inesquecíveis: Eva Malapata, “uma senhora como há poucas, com um grande coração, que não pode ver animais em sofrimento. E gatos, então…”; Raul Malapata, o avô de 83 anos, “muito esquecido, não se lembra de nada”; Pedro Malapata, casado com Eva e pai de Hugo e Beatriz, “arquiteto e professor de Arquitetura, mas teve de abandonar a profissão para gerir os negócios da família, (…). Tem a missão de procurar o Olho de Lince, o amuleto que protegia a família da má sorte e que foi roubado há alguns anos”; e, para completar, Black, “um lindo gato preto (…) que sabe que não é gente, mas não duvidem de que também sou um Malapata, embora de uma estirpe diferente”.

Cada elemento da família possui características muito peculiares, quase caricaturais, o que contribui para o tom humorístico da narrativa. As personagens são construídas com exagero e originalidade, mas preservam uma humanidade colossal, tornando-se simultaneamente cómicas e próximas do leitor. Mistério, excentricidade e afecto familiar entrelaçam-se, dando à narrativa um encantamento singular.
Os Malapata atraem confusões e aventuras improváveis a cada passo. São perseguidos pela má sorte, desde que uma feiticeira condenou a mil anos de azar, sucedendo-se desde então várias gerações de azarados, até que conseguiram transformar um colar da família num talismã que os protege da maldição: o Olho de Lince. Entre perseguições, segredos e acontecimentos improváveis, o leitor é conduzido por uma história onde o absurdo e a inteligência convivem de forma brilhante.
O traço expressivo, elegante e simultaneamente divertido de David Pintor acompanha o espírito da narrativa, em desenhos que reforçam o humor e ampliam o lado caricatural das personagens. Existe um diálogo harmonioso entre texto e ilustração, algo essencial na literatura juvenil contemporânea. Um livro que confirma, uma vez mais, a importância de Álvaro Magalhães como um dos grandes escritores para jovens em Portugal.











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