As lindíssimas guardas, iniciais e finais, do livro “A Bruxinha Avelã – Um Ano na Floresta” (Fábula, 2025), assemelham-se a um mapa, indicando-nos a localização da Terra das Fadas, do Moinho de Verde-Musgo, da Casa de Bruxinha Avelã, do Lago, da Toca do Coelho, da Loja da Aldeia, da Biblioteca Pública de Verde-Musgo e de muitos outros lugares para conhecer. Começa aqui a leitura deste magnifico livro, que cria uma ambiência que nos apetece conhecer e onde queremos permanecer.
As ilustrações são absolutamente encantadoras, ricas em textura, cor e detalhe, parecendo ter sido criadas para serem observadas demoradamente. Tudo aqui é lento. Em cada página há detalhes a descobrir: objectos minúsculos nas casas da floresta, alimentos preparados com cuidado, animais escondidos entre as folhas, pequenas cenas paralelas que ampliam o texto de Phoebe Wahl, que é de uma delicadeza rara.
Devagar e silenciosamente entramos no bosque onde habitam segredos escondidos entre as árvores, cheiros imaginados e imensos detalhes para desvendar. A Bruxinha Avelã vive na floresta e dedica os seus dias a cuidar dos habitantes daquele sítio magico, ajuda animais, visita vizinhos, resolve pequenos mistérios e acompanha o ritmo das estações.
“Certo dia, ia a Bruxinha Avelã a caminho de casa quando encontrou algo curioso. «Um ovo órfão!», pensou a bruxinha. Depois de esperar um bocado, para ver se vinha alguém à procura dele, a Bruxinha Avelã decidiu empurrar o ovo até sua casa.” Um dia, ao acordar, ouviu um “PIU”, e “deparou-se com um tufo de penas a olhar para ela”. E depois, o que aconteceu? Bem… terá de ser o leitor a descobrir, mas poderemos avançar que “A Bruxinha Avelã – Um Ano na Floresta” percorre um ano inteiro, mostrando como a vida se transforma com o passar do tempo, o frio, a abundância, a colheita e o recolhimento, e também como seria possível aproveitar o dia na floresta e a agitação das manas toupeiras, sempre com uma profunda ligação à natureza e aos seus ciclos.
Mais do que aventuras, encontramos gestos de cuidado e de pertença, receitas de magias feitas de atenção, empatia e proximidade. A floresta surge como um espaço vivo, acolhedor e interdependente, onde cada criatura tem um lugar e uma função. Talvez a maior beleza deste livro seja a magia da ligação à natureza, aos outros e ao próprio tempo, a entreajuda, a ideia de comunidade.
É um livro para nos recordar que viver em comunidade implica cuidar uns dos outros, partilhar tarefas, pedir ajuda quando necessário e reconhecer que ninguém vive verdadeiramente sozinho. Para ler devagar, para revisitar ao longo do ano, para conhecer [melhor] conhecer as estações, os ritmos da terra, os animais e as plantas e para guardar como quem guarda um pequeno tesouro da floresta. Um livro onde a natureza não é apenas cenário, mas desempenha o papel de personagem principal. Um livro para ler e dar a ler.











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