A editora Akiara Books não para de nos surpreender. Cada livro carrega curiosidade, palavras doces, suaves e voláteis, “palavras inexatas”, “verdades impugnáveis”, espanto, “respostas sem perguntas”, desejos, mudanças, brincadeiras, interrogações, a arte de dizer poeticamente, serenidade e muito mais. Volátil é uma palavra delicada, leve. Remete-nos, num primeiro momento, para aquilo que voa, que se eleva, que escapa às mãos. Para o que muda rapidamente – o Efémero. No entanto, há uma aparente contradição que este livro nos convida a descobrir: nem tudo o que é volátil desaparece. Há palavras, emoções e imagens que, precisamente por serem leves, permanecem connosco de forma mais profunda.

“Volátil” (Akiara Books, 2026) é um conjunto de poemas em verso, um livro sobre o encanto e o maravilhamento de olhar os campos e praias, a natureza, sobre a leveza de permanecer, de estar vivo e de admirar. Os poemas de “Volátil” habitam o território delicado entre o instante e a memória. São textos que inspiram, que incutem mais do que afirmam, que deixam espaço ao silêncio e ao leitor para completar sentidos. Cada poema parece pousar na página, como uma folha levada pelo vento ou uma ave em breve descanso: permanece apenas o tempo suficiente para despertar uma emoção antes de seguir viagem. Essa condição volátil não representa fragilidade, antes liberdade. A poesia recusa fixar significados únicos, preferindo abrir possibilidades, convidando-nos a olhar novamente para o mundo com espanto.

As ilustrações que acompanham os poemas são delicadas, elegantes. Respiram ao mesmo ritmo da palavra poética, ampliando-a através da cor, do espaço, da textura e da sugestão. Há, nelas, um movimento subtil que parece desafiar a imobilidade da página.
Ler “Volátil” é aceitar que algumas das experiências mais importantes da vida não se deixam capturar completamente. A infância, o crescimento, o amor, a perda, a esperança ou a beleza manifestam-se muitas vezes como algo passageiro, quase impalpável. Contudo, mesmo quando parecem desaparecer, deixam marcas invisíveis que continuam a transformar-nos. Afinal, o que é volátil não é necessariamente passageiro.

Talvez seja esse o maior paradoxo que o livro celebra: como um poema que regressa inesperadamente à memória, ou como uma imagem que permanece muito depois de fecharmos o livro, a verdadeira leveza tem a capacidade de ficar. É nessa permanência discreta, quase silenciosa, que reside a força desta obra.











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