Em jeito de prefácio a “Um Livro Esquecido Num Banco” (Asa, 2026), Jim fala ao leitor sobre o acontecimento verdadeiro que lhe deu origem, acabando por revelar a mensagem que este álbum de banda desenhada quer fazer passar: “Na era dos e-mails, mensagens de texto e e-books, pareceu-nos deliciosamente retrógado utilizar o objecto livro para transmitir uma mensagem de uma pessoa para outra”.

Num misto de romance fofinho e livro de espionagem, o álbum tem como protagonista a jovem Camélia que, quando sentada num banco de jardim, descobre um livro abandonado. Após folhear algumas páginas decide levá-lo para casa, descobrindo que algumas palavras ou letras foram circuladas, acabando por descodificar frases completas, através das quais o suposto proprietário ou autor do livro vai comunicando, dizendo-se entediado com a vida quotidiana e sonhando com uma vida amorosa digna de um filme.

Para além de prenunciar uma história de amor e de relembrar que “o vazio precisa sempre de ser preenchido por qualquer coisa”, o livro fala-nos do mofo do meio editorial, dos pseudo-intelectuais que se movem nos corredores literários ou da forma como a literatura pode, além de permitir viver várias vidas à boleia da imaginação, mudar algumas na realidade.











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