Em 1979, a revista Rolling Stone publicava uma entrevista de Jonathan Cott a Susan Sontag, apenas um terço da longa conversa que Cott teve com Sontag e que se estendeu entre, em dois momentos, entre Paris e Nova Iorque. “Susan Sontag: A Entrevista Completa da Rolling Stone” (Quetzal, 2026) apresenta a entrevista completa, publicada pela primeira vez na íntegra, a alguém que para o entrevistador tanto bebia da cultura popular como da alta costura, e que ao contrário de gente como Calvino ou Coetzee gostava de dar entrevistas.
Ao longo de cerca de 150 páginas, muitos são os temas percorridos, quase sempre a partir dos trabalhos artísticos de Sontag: o ensaio sobre o Vietname, a partir do qual se fala das culturas de vergonha e de culpa; as polarizações ou a distinção masculino/feminino, que Sontag aponta como um dos principais e mais nefastos estereótipos; o negacionismo da doença, e de como muitas vezes a tuberculose e a sífilis se viram romantizadas, quase sempre ligadas a uma ideia de genialidade; a relação compulsiva, eclética e quase sempre em modo zaping da autora com a Literatura; do rock como o motivo que a levou ao divórcio; das metáforas e de uma busca para o seu despojamento (ou eliminação); do processo de escrita; do privilégio – ou desejo – de estar no meio; da tarefa que o escritor deve assumir; ou, ainda, da necessidade de não concordância com a própria obra, algo que a conduziu sempre a um pensamento contínuo e questionante.
Jonathan Cott, profundo conhecedor da obra de Sontag, dá-nos a conhecer em profundidade o pensamento de Sontag, a sua relação com a vida e o processo de escrita, mas também a sua forma empática de olhar o mundo, que segundo ela deveria ser “um lugar seguro para os marginais”, permitindo a quem o desejasse viver na margem. Para conhecedores ou não da obra de Sontag, este é um livro que permite um outro lado da escritora e ensaísta, conduzindo o leitor à descoberta da obra substancial que nos deixou.











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