Imaginado pelo trio Isabel Minhós Martins (textos), Dina Mendonça (textos) e Madalena Matoso (ilustrações), “Onde é que nós íamos?” (Planeta Tangerina, 2024) é mais uma edição para coleccionar que nos chega do não tão longínquo Planeta Tangerina, celebrando a importância e o prazer de conversar. Um livro para crianças, mas também para adultos que vão perdendo a capacidade – e a vontade – de entabular conversa.
Nesta edição de capa dura, ilustrada com o toque de Midas de Madalena Matoso, elegem-se as conversas como o lugar privilegiado para visitas frequentes e prazerosas, ou como aquele lugar mágico a que chegamos sem destino traçado.

Começando por apresentar os desafios e perturbações colocados a um diálogo, “Onde é que nós íamos?” refere algumas das questões às quais o leitor encontrará respostas durante a leitura: “Como será que podemos criar esse espaço de conversa quando ele não existe? Por que é tão fácil conversar com umas pessoas e mais difícil com outras?”.
Dividido em quatro capítulos, o livro oferece boas dicas para começar ou desbloquear uma conversa – como sorrir ou falar de algo que afecta a todos -, aponta a importância das conversas individuais – como ler ou pintar -, recupera espaços de conversa do passado – como os salões franceses ou as conversadiera, bancos que obrigavam duas pessoas a estar de frente uma para a outra – ou mostra como estender a duração de uma conversa – num capítulo que inclui buracos negros e “discussões que não acabam em guerra” -, juntando-lhe uma ideia que poderá servir de laço de embrulho à arte da boa conversação: “O futuro está a transbordar de conversas que ainda não tivemos”.

Pelo caminho, vai apresentando diversos desafios ao leitor, até terminar com uma lista de ideias úteis para dar início a boas conversas. Há, ainda, uma pequena biografia de cada uma das autoras, que assinam um texto próprio sobre a importância de ouvir e conversar. Para quem quiser aprofundar o tema, as “notas, fontes e referências” finais apresentam uma extensa bibliografia. Um livro que vem dar razão a uma máxima popular: a conversar é que a gente se entende.











Sem Comentários