• Mil Folhas
  • Música Com Cabeça
  • Cine ou Sopas
deusmelivro
Lorde, NOS Alive, NOS Alive 2026, Deus Me Livro, Everything New,
Mil Folhas 0

NOS Alive 2026: Uma dúzia de concertos para fazer a festa

Por Pedro Miguel Silva · Em 05/07/2026

É, no panorama dos festivais de música nacionais, aquele que vê desaparecer os passes gerais como quem despacha garrafas de água fresca em dias de quarenta graus à sombra. Espreitámos o cartaz de uma ponta à outra e seleccionámos uma dúzia concertos para fazer a festa nesta edição do NOS Alive, que toma conta do Passeio Marítimo de Algés nos dias 9, 10 e 11 de Julho.

Para um leigo na matéria, Twenty One Pilots poderá soar a nome de companhia aérea, mas a verdade é que estamos na presença de uma dupla, formada pelo vocalista Tyler Joseph e o baterista Josh Dun. Do seu algo tresloucado universo musical, fazem parte uma pop com glitter, um rock mais ou menos alternativo, alguns traços de hip hop e sintetizadores que carregam uma certa nostalgia, ainda que seja difícil identificar o ano a que nos conduziria esta viagem no tempo. “Breach”, a mais recente rodela, parece encerrar uma narrativa conceptual, um pouco como aconteceu com o “Regresso do Rei” de Tolkien. Veremos para que novo reino nos conduzirão Tyler e Josh – a começar com este concerto que promete muita animação e fogo de artifício.

Longe vão os dias em que, segundo reza a lenda, Nick Cave – então ladeado pelos Birthday Party – escrevia com o próprio sangue, compondo versos caóticos onde procurava um lar espiritual alternativo a todos os cânones religiosos. Após a trágica morte do filho, Nick Cave – na companhia dos Bad Seeds – tem feito de cada concerto – e de cada novo álbum – uma celebração, em que cada canção se saboreia como uma hóstia sagrada. Se andam à procura de transcendência, peguem no vosso livro de Salmos e juntem-se ao culto Caviano.

Os The Royston Club chegam de Wrexham, País de Gales, e são formados por Tom Faithfull (voz e guitarra), Ben Matthias (guitarra) e Dave Tute (baixo), trio que se conhece praticamente desde o jardim de infância, e Sam Jones (bateria). A sua música tem tudo aquilo que se exige de um indie rock efervescente: riffs vertiginosos, melodias com muita electricidade e refrões para se cantar a plenos pulmões. Gales pode não estar no Mundial, mas estes rapazes sabem dar toques numa bola.

Em 1994, depois da trágica morte de Kurt Cobain, Dave Grohl formou os Foo Fighters, trocando a bateria pela guitarra e chegando-se à frente como vocalista. Anos depois, os Foo Fighters tornaram-se numa das mais celebradas bandas rock do planeta, transformando canções como “Everlong” ou “The Pretender” em hinos de estádio. Há quem diga que são uma das melhores bandas ao vivo, por isso seria uma heresia perder este concerto. Ainda para mais quando a banda deixou este aviso: “Take Cover, UK and Europe…”.

O norte da Europa é conhecido pelos seus policiais carregados de negrume, mas é também dessa geografia que nos chega um fenómeno solar chamado Zara Larsson. A sueca tem alimentado a pop a bebidas energéticas com um cheirinho de vodka, através de um electro-pop carregado de purpurinas e enfeitado com letras onde há muito de auto-ficção, discorrendo-se sobre os dramas das relações amorosas, escolhendo-se o feminismo como corrente política e elegendo-se a diversão como objectivo de vida. O sol da meia-noite vai brilhar alto no palco Heineken.

Os Wolf Alice são uma daquelas bandas que, desde o início, pareceu deparar-se com uma crise de identidade, ao estilo de um Stieg Dagerman sem tendências suicidas. Ao longo de uma carreira de mais de década e meia, experimentaram a folk tresmalhada, a electricidade do grunge, a pop algodão-doce ou o rock mais alternativo. Uma busca que acabou por os conduzir a “The Clearing”, disco que os catapultou para a Liga dos Campeões musical. Um álbum que carrega em si alguma nostalgia, como se folheassem álbuns de fotografias antigas e recordassem tudo aquilo que os levou a um disco quase perfeito. Nunca o amadurecimento foi tão bom de se ver e ouvir.

Florence + The Machine

Em 2022, depois de nos termos sentido transportados para o culto Florenciano, escrevemos que o concerto de Florence + The Machine ficou “entre a afronta adolescente do Capuchinho Vermelho, o poder incendiário da sacerdotisa Melisandre de Asshai e a graciosidade de uma bailarina do Teatro Bolshoi”, tendo Florence dado cartas na companhia de “uma máquina indestrutível e com sangue no lugar de óleo a correr-lhe nas juntas”. No ano seguinte, a sua vida sofreu um abalo, com uma gravidez ectópica e um consequente aborto espontâneo que quase lhe custou a vida, sendo salva uma cirurgia de emergência. Um acontecimento que foi a centelha para “Everybody Scream”, o seu 6º e algo tenebroso longa-duração, que bem a propósito foi lançado no Halloween de 2025. Preparem-se para mais um momento de catarse.

O título que pesa sobre os seus ombros é de Lorde, mas a honraria mínima seria atribuir-lhe o ceptro e a coroa de rainha. Desde a adolescência que a artista neo-zelandesa nos tem brindado com alguns dos melhores álbuns da história da pop, e até mesmo o patinho feio – “Solar Power” – tem canções para ouvir e emoldurar com orgulho. Chega ao NOS Alive com o novo “Virgin”, disco que confirma que mora aqui uma das melhores letristas e compositoras da pop moderna. Pode bem ser um dos melhores concertos desta edição.

Matt Berninger é a alma atormentada dos The National, um tormento que o tem acompanhado numa carreira a solo que leva já duas rodelas publicadas: “Serpentine Prison” (2020) e “Get Sunk” (2025). A escrita poética e o humor com arestas continuam presentes e, se estiverem numa de baixar a tensão arterial e mergulhar num buraco negro, este é definitivamente o concerto para se atirarem de cabeça.

Foram um meteorito da música nacional, uma das bandas nascidas em Portugal que conseguiu criar um senhor hype além-fronteiras, à boleia dos discos “From Buraka to the World” (2006), “Black Diamond” (2008), “Komba” (2011) e “Buraka” (2014). Após um longo hiato que teve a sombra de um ponto final, Branko, Riot, Conductor, Kalaf e Blaya voltam a pisar um palco, naquela que promete ser uma festa de arromba. From Algés To The World, Buraka Som Sistema.

Numa primeira audição, é difícil não lhes apontar o falsetto dos Parcels ou, sobretudo, os riffs com assinatura Daft Punkiana, mas a verdade é que os Midnight Generation têm acrescentado ao seu disco-pop uma certa vibe mexicana, país de onde são naturais. Um concerto para quem gosta de tequilla e de sintetizadores que trazem de volta os anos 1980.

Tomora é o improvável duo que junta Tom Rowlands, dos The Chemical Brothers, e a cantora Aurora. Estrearam-se este ano com o longa-duração “Come Closer”, um disco que funde a música electrónica com a pop no qualnão faltam sintetizadores metálicos, batidas insanas, gritos tribais e melodias enganadoramente suaves. Não seria difícil imaginar “Come Closer” como a banda sonora que acompanharia a chegada de uma força alienígena ao planeta Terra. Promete ser um intenso Encontro Imediato de Terceiro Grau, só não se esqueçam das palavras-passe: we came in peace.

Deus Me LivroEverything is NewNOS AliveNOS Alive 2026

Pedro Miguel Silva

Pode Gostar de

  • Curtas da Estante, Penguin Deus Me Livro, Os Cruzados, Dan Jones, Mil Folhas

    Curtas da Estante: “Os Cruzados” | Dan Jones

  • Curtas da Estante, Deus Me Livro, A Fuga, Jorge Mateus, Paulo Caetano, Iguana, Mil Folhas

    Curtas da Estante: “A Fuga” | Jorge Mateus e Paulo Caetano

  • Curtas da Estante, Deus Me Livro, Iguana, Desta é que é Snoopy!, Peanuts, Mil Folhas

    Curtas da Estante: “Desta é que é, Snoopy!” | Charles M. Schulz

Sem Comentários

Deixe uma opinião Cancelar

Siga-nos aqui

Follow @Deus_Me_Livro
Follow on Instagram

Mil Folhas

  • Lorde, NOS Alive, NOS Alive 2026, Deus Me Livro, Everything New,

    NOS Alive 2026: Uma dúzia de concertos para fazer a festa

    05/07/2026
  • Curtas da Estante, Penguin Deus Me Livro, Os Cruzados, Dan Jones,

    Curtas da Estante: “Os Cruzados” | Dan Jones

    04/07/2026
  • Curtas da Estante, Deus Me Livro, A Fuga, Jorge Mateus, Paulo Caetano, Iguana,

    Curtas da Estante: “A Fuga” | Jorge Mateus e Paulo Caetano

    04/07/2026
  • Curtas da Estante, Deus Me Livro, Iguana, Desta é que é Snoopy!, Peanuts,

    Curtas da Estante: “Desta é que é, Snoopy!” | Charles M. Schulz

    04/07/2026
  • Atos de Desobediência, Helena Magalhães, Deus Me Livro, Asa, Crítica,

    “Atos de Desobediência” | Helena Magalhães

    03/07/2026
Acha o Deus Me Livro diferente? CLIQUE AQUI.

Archives

  • July 2026
  • June 2026
  • May 2026
  • April 2026
  • March 2026
  • February 2026
  • January 2026
  • December 2025
  • November 2025
  • October 2025
  • September 2025
  • August 2025
  • July 2025
  • June 2025
  • May 2025
  • April 2025
  • March 2025
  • February 2025
  • January 2025
  • December 2024
  • November 2024
  • October 2024
  • September 2024
  • August 2024
  • July 2024
  • June 2024
  • May 2024
  • April 2024
  • March 2024
  • February 2024
  • January 2024
  • December 2023
  • November 2023
  • October 2023
  • September 2023
  • August 2023
  • July 2023
  • June 2023
  • May 2023
  • April 2023
  • March 2023
  • February 2023
  • January 2023
  • December 2022
  • November 2022
  • October 2022
  • September 2022
  • August 2022
  • July 2022
  • June 2022
  • May 2022
  • April 2022
  • March 2022
  • February 2022
  • January 2022
  • December 2021
  • November 2021
  • October 2021
  • September 2021
  • August 2021
  • July 2021
  • June 2021
  • May 2021
  • April 2021
  • March 2021
  • February 2021
  • January 2021
  • December 2020
  • November 2020
  • October 2020
  • September 2020
  • August 2020
  • July 2020
  • June 2020
  • May 2020
  • April 2020
  • March 2020
  • February 2020
  • January 2020
  • December 2019
  • November 2019
  • October 2019
  • September 2019
  • August 2019
  • July 2019
  • June 2019
  • May 2019
  • April 2019
  • March 2019
  • February 2019
  • January 2019
  • December 2018
  • November 2018
  • October 2018
  • September 2018
  • August 2018
  • July 2018
  • June 2018
  • May 2018
  • April 2018
  • March 2018
  • February 2018
  • January 2018
  • December 2017
  • November 2017
  • October 2017
  • September 2017
  • August 2017
  • July 2017
  • June 2017
  • May 2017
  • April 2017
  • March 2017
  • February 2017
  • January 2017
  • December 2016
  • November 2016
  • October 2016
  • September 2016
  • August 2016
  • July 2016
  • June 2016
  • May 2016
  • April 2016
  • March 2016
  • February 2016
  • January 2016
  • December 2015
  • November 2015
  • October 2015
  • September 2015
  • August 2015
  • July 2015
  • June 2015
  • May 2015
  • April 2015
  • March 2015
  • February 2015
  • January 2015
  • December 2014
  • November 2014
  • October 2014
  • September 2014
  • August 2014
  • July 2014
  • Contacto