À primeira vista, este livro apresenta-se como um pequeno manual sobre… fantasmas. Fantasmas? Sim, fantasmas! Um “fantasma é um ser ardiloso e quase impossível de se ver. Mas se fores gentil e carinhoso talvez algum te queira conhecer”, conta-nos este narrador que esclarece, também, o que fazer caso um fantasma apareça: não ter medo, ser gentil e aprender a cuidar dele. A premissa é simples e quase absurda — afinal, quantos de nós já pensámos nas regras de convivência com um fantasma? É precisamente dessa simplicidade que nasce o encanto do livro.
“Como Ter um Amigo Fantasma” (Fábula, 2025) é um livro muito bem-humorado, com um texto curto e incisivo onde cada frase funciona como uma instrução: como acolher um fantasma, como brincar com ele ou como lidar com os seus hábitos peculiares. Por trás desta estrutura divertida esconde-se, porém, uma reflexão muito humana sobre a amizade: como cuidar do outro, aceitar as suas diferenças e construir uma relação baseada na ternura, na imaginação e no humor. Um magnifico e divertido livro que patenteia a imaginação como um espaço de encontro(s) e descoberta(s).

As ilustrações usam uma paleta suave, com tons pastel e linhas simples, que transformam aquilo que poderia ser assustador em algo profundamente acolhedor. O fantasma não é uma figura de medo, pelo contrário: é um companheiro silencioso, pequenino, com alguma timidez, que se esconde em gavetas, passeia pela casa ou observa o mundo com curiosidade.
A ilustração oferece ao leitor uma dimensão narrativa que vai além do texto. Enquanto o narrador explica as “regras” para lidar com um fantasma, as ilustrações apresentam pequenas histórias paralelas: momentos de cumplicidade, brincadeiras silenciosas ou gestos de cuidado, que ampliam o sentido das palavras. Este diálogo entre texto minimalista e ilustração expressiva é uma das marcas mais fortes deste álbum de Rebecca Green, no qual descobrimos que os amigos mais improváveis são, também, os mais inesquecíveis. Um livro para ler e dar a ler.











Sem Comentários