“Daqui a seis meses a Terra irá desaparecer. Vocês conseguem ouvir a lamúria do universo?”. Sejam bem-vindos a “Boa Noite, Punpun 5” (Devir, 2026), uma das séries mangás mais estranhas e perturbadoras em publicação nacional, fruto da loucura pessoal de Inio Asano.
Este é, aliás, o volume onde se pressente uma maior carga pessoal, a começar desde logo pela validação criativa em tempos muito exigentes: “Dizem que o mercado editorial está em baixo. Sim, há outros conteúdos mais interessados do que o mangá. Mas, se continuarmos a criar boas histórias, o mangá nunca irá desaparecer”. Ou, mais à frente, com um auto-questionamento de grande monta sobre o caminho da arte: “Um mangá que finge estar entediado perante a realidade quotidiana já não faz sentido”.
A parceria – pessoal e profissional – entre Nanjo e Punpun já teve melhores dias, situação que se vem complicar na reunião editorial com a directora da editora, que não está a gostar do rumo das histórias da dupla: “Queremos uma mensagem mais directa”.
O tipo que fala sobre o fim do mundo, a quem pertencem as primeiras palavras deste texto, é Toshiki Hoshikawa, de 38 anos, que decide candidatar-se a governador de Tóquio, sem qualquer filiação partidária. Conhecido por Maestro Pegasus, é líder do conjunto musical Pegasus, e é ele que dirige este volume com batuta firme.
Inio Asano coloca várias personagens na linha da frente, mas este volume vive sobretudo do reencontro de Punpun com Aiko, que a dado momento vai ao fundo do poço descobrir a confiança perdida, tudo para sacar de um possível ajuste de contas: “Roubaste toda a minha auto-confiança e fizeste de mim uma pessoa submissa e sem salvação”. Ou, quem sabe, de um novo começo.











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