O universo dos super-heróis é, não raras vezes, tomado pela máxima do “baralhar e voltar a dar”. Os resultados desta prática são variados, mas quando se tem alguém como Scott Snyder com o baralho na mão, qual croupier de casino, só se podem esperar coisas boas. É o caso deste “Absolute Batman: O Zoo” (Devir, 2026), primeiro volume da série Absolute Batman, que integra o Universo Absoluto, nascido da batalha apocalíptica da Liga da Justiça contra Darkseid, que deu origem a um novo leque de realidades que tratam de reimaginar alguns dos heróis do universo DC.

Absolute Batman inventa uma outra história para Bruce Wayne, que aqui se vê sem mansão, sem Alfred e com a conta bancária bem menos recheada. A própria história familiar é diferente – mãe assistente social, pai professor -, ainda que não menos atravessada pela tragédia. Algo que faz com que, no auge da sua juventude – tem 24 anos –, decida conhecer Gotham como a sua palma da mão, apurando ao limite a sua forma física e ajustando a sua vida profissional de forma a ficar a conhecer todas as esferas e alicerces sobre as quais está assente a sua cidade, remetendo-se à solidão de forma a proteger aqueles de quem mais gosta.
Quanto a Gotham, continua a ser uma cidade atravessada pelo crime, a corrupção e a sede de poder, como nos conta um grisalho Alfred Pennyworth que, neste universo, troca todas as mordomias pelo papel de agente secreto, regressando a Gotham numa missão de recolha de informações: “Não sei se gosto desta tua nova versão, Gotham. Mas tudo bem. Também não me cheira que vás gostar de mim. O meu nome é Alfred Pennyworth. E vim fazer coisas muito más”. A sua missão apenas vigiar, mas cedo percebe que há um outro jogador a fazer o mesmo.

Em véspera de eleições para a câmara, com um Jim Gordon cada vez mais contestado, a cidade está tomada pelo gangue Os Animais da Festa, que tem “andado a espalhar o caos, chacinando cidadãos aleatoriamente e aumentado a taxa de homicídios em 700%”. Caberá a Batman e a Alfred, numa improvável parceria, tentar impedir aquilo que parece ser o desenvolvimento natural do mundo, tomado de assalto pelo capitalismo desenfreado e uma tecnocracia que trata de clivar ainda mais o fosso entre as classes sociais.
À semelhança da narrativa, também as ilustrações e toda a arrumação gráfica fogem ao cânone Batman – resultado da arte de Nick Dragotta e cores de Frank Martin -, servindo história com menos acção e mais força narrativa, que termina com uma frase que faz crescer água na boca para o segundo volume.











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