Não era tarefa fácil abrir o palco principal do Vodafone Paredes de Coura mas, com o seu indie rock feito de melodias irresistíveis, os Westside Cowboy mostraram a razão de serem uma das bandas mais entusiasmantes do momento. Com os vocais (bem) distribuídos pela banda, os ingleses conseguiram cultivaram, desde logo, uma atmosfera de energia vibrante.

O destaque maior vai para Aoife Anson O’ Connell, que protagonizou um momento acapella que pôs em evidência a sua poderosa voz, por vezes semelhante a Adrianne Lenker. Esperemos que voltem em breve para promover o seu álbum de estreia – “It Goes On” -, acabado de sair, que esteve presente em vários momentos da sua actuação.

Uma peça de teatro que serviu como um belo cenário para o eclipse. O projecto dos First Breath After Coma e Salvador Sobral – A Residência – ganhou vida no Paredes de Coura, com o cenário do próprio sítio onde o álbum foi feito – com particular destaque para as luzes da casa, que ganhavam vida própria consoante a música que estava a ser tocada. Entraram em palco um a um, e o que se seguiu foram momentos de contemplação, assim como de muita dança, saltos e camaradagem. Como o próprio Salvador disse, “Tou blessed por estar a tocar em Coura”. O próprio ainda fez um monólogo brincalhão, em que encenou uma conversa entre um pai e um filho, que não queria ir para o campo de férias porque preferia ir a um concerto – uma ideia rejeitada pelo pai por ser um lugar cheio de drogados. Apesar de não ter havido interacção com o público, algo que o próprio Salvador disse estar ligado ao conceito, o ambiente não requeria mais do que o talento brilhante destes enormes músicos da cena actual portuguesa.

O tom foi, desde logo, estabelecido por “Amanhã de manhã”, o clássico das Doce que pôs o público em altas. Houve de tudo no concerto de CMAT e da sua banda (muito) sexy, desde menções a pastel de nata, poses estudadas e muitos yeehaws. Sendo o dia do eclipse, houve ainda tempo para uma dança interpretativa, protagonizada pelos seus dançarinos, que CMAT descreveu como “a lua e o sol a beijarem-se“. A artista irlandesa revelou que já viveu em Portugal, confidenciando que a Super Bock a recordava dos tempos que passou no país, memória que a levou a beber uma lata de um trago só – e uma outra momentos depois. Mais tarde chegou mesmo a dar uma cerveja a um membro do público, que a bebeu de pronto, o que mereceu um estrondoso aplauso do público.
CMAT mostrou que consegue pôr os portugueses a fazer de tudo, desde line dancing a berrar “But i just can’t do it” na última música do concerto – “Stay for Something”. Nesta fase, CMAT juntou-se à plateia para um mosh amigável, com muitos abraços e diversão. Foram o claro destaque do dia, trazendo boa música, entretenimento, espírito e, claro, uma atitude sexy.

Se o público em Paredes estava ansioso para um mosh, finalmente teve essa oportunidade no concerto das Wet Leg, que incluiu ainda crowd surfing e rowing. Ainda assim, por entre cortinas de fumo, luzes brancas e alguns dos clássicos que tornaram as Wet Leg num dos fenómenos do indie rock actual, o concerto em Coura pouco acrescentou ao que foi registado em disco pelas britânicas.

Após uma passagem pelo Primavera Sound Porto deste ano, os Kneecap regressaram a Portugal para mais um concerto cheio de luzes psicadélicas, referências a drogas e mensagens políticas, chegando a fazer os portugueses entoarem “Free Free Palestine”. Foi impossível escapar à energia cultivada pelos irlandeses, que estiveram sempre a incentivar o mosh por entre as suas músicas de intervenção. Um grande concerto, que conheceu o seu grande final com o próprio Dj Próvaí a vir junto do público para o mosh, arriscando ainda o crowd surfing. É seguro dizer que o trio irlandês pode voltar no futuro para mais diversão.
Fotos: Hugo Lima











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