Nas redondezas do Lisboa ao Vivo (LAV), o ambiente é o de um botellón. Afinal, trata-se de ficar em forma líquida ou de alcançar um dos Paraísos Artificiais propostos por Baudelaire, isto a poucos minutos de ter início o concerto de Mac DeMarco, o improvável e romântico herói capaz de esgotar, em minutos, duas datas na maior sala do empreendimento LAV.

Lá dentro, o ambiente é o de um forno em actividade e, qual fenómeno ao estilo de um episódio da Twilight Zone, todos parecem ser excessivamente altos, como se Lisboa tivesse sido invadida por hordas dos Países Baixos. A faixa etária, essa, anda pelos vintes e, entre a névoa artificial que se vai criando para conferir um certo grau de intimidade, há quem vá soprando bolas de espuma.

“Obrigado por terem vindo. O meu nome e Mac”, diz-nos o homem do momento, tratando desde logo de apresentar a banda naquele que foi o último concerto da tour europeia. O arranque traz o primeiro e sentido coro – “It’s just like seeing her for the first time again”, em “For The First Time” -, uma constante de um concerto que teve, além dos muitos bangers – se é que lhes poderemos chamar assim -, momentos de um romantismo traduzido em calmaria.

Mac DeMarco esteve indomável, fosse pedindo palmas a várias velocidades – ou braços a ondular -, antecipando vários dos temas com um “I like this one”, proporcionando um momento Bad Boys com um “We ride together, we die together” (a que juntou a variação “high together”), reagindo de forma divertida quando se pediu para sair do alinhamento do dia anterior – “Olhem que talvez não saibam as canções” – ou convidando, a dado momento, o fotógrafo de digressão – Yuki Kikuchi – para cantar “Heart to Heart”, momento insólito que inclui ainda um beijo nos lábios e uma vénia de despedida.

Os momentos polaroid foram-se sucedendo, como quando sacudiu o suor do microfone como quem limpa um instrumento de sopro, quando fez e repetiu o pino ou, depois de “Chamber of Reflection”, atirou com o microfone depois de um longo momento de helicóptero, despedindo-se em surdina já com o microfone a precisar de reparo. Ainda assim, e já com muito boa gente a caminho de casa, regressou para uma dose dupla, primeiro com “My Kind of Woman” e, para encerrar, numa homenagem a Michael “Rei da Pop” Jackson, com o clássico “Human Nature”. Um concerto triunfal, que teria merecido uma sala com uma melhor qualidade sonora. Podemos reservar já o Coliseu dos Recreios para o próximo regresso?
Fotos: Lana Lenfant / Primavera Tours Portugal
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Promotora: Primavera Tours Portugal











2 Commentários
Queria imenso ter ficado com a setlist completa por ordem
Boas Tiago.
Segundo a setlist que circula por aí, este foi o alinhamento de dia 21 no LAV:
For the First Time
Sweeter
On the Level
Phantom
Salad Days
20191009 I Like Her
She’s Really All I Need
Rock and Roll
Finally Alone
Still Beating
All of Our Yesterdays
Passing Out Pieces
Home
No Other Heart
Heart to Heart
Ode to Viceroy
Little Dogs March
20200820 Turn My TV On
20210218 Round Here
On the Square
This Old Dog
One More Love Song
Another One
Rooster
Freaking Out the Neighborhood
Holy
Moonlight on the River
Chamber of Reflection
Encore:
My Kind of Woman
Human Nature
(Michael Jackson cover)