Constança Ochoa, nome por detrás do projecto Líquen, veio à redacção do Deus Me Livro tirar a sua RádioGrafia. A banda sobe ao Palco Giacometti do Bons Sons no dia 6 de Agosto.

Diz-nos a ciência que um líquen nasce da simbiose entre dois organismos, um fungo e uma alga ou bactéria. É um possível caminho para chegar ao projeto Líquen, de Constança Ochoa: um encontro entre género, sensibilidades e texturas electro-acústicas. Aqui, a poesia cruza-se com a polifonia, criando paisagens sonoras íntimas e inesperadas, um espaço onde tudo se mistura, respira e ganha novas formas.
E se no meio-ambiente são bons indicadores da qualidade do ar, em Cem Soldos, Líquen mede a respiração do encontro, um termómetro sensível da escuta, da partilha e da ligação entre corpos, vozes e lugares.
Aquela banda ou artista que te fez comprar uma revista só porque trazia um poster que ficava a matar numa das paredes do teu quarto.
Beatles, sempre.
A banda ou músico que te fez comprar e usar uma T-Shirt.
Várias… Tenho uma t-shirt dos Alt-J que serviu para umas experiências de vestuário, toda cortada e pintada por mim e por um grupo de amigos, todos fãs das mesmas bandas, na altura (adolescentes).
O primeiro disco em que usaste o dinheiro que tanto trabalho deu a enfiar no porquinho de barro.
O primeiro de todos não sei, mas foi também durante a adolescência que comprei toda a colecção dos discos dos The Doors, a percorrer todas as lojas de discos em Coimbra (quando ainda havia…).
Os discos que os teus pais, irmãos e primos mais te fizeram ouvir.
Bem, sendo eu a caçula da família, provavelmente fui eu que os fiz ouvir mais vezes um ou mais discos em particular… estou-me a lembrar dos NOW’s, por exemplo. A minha irmã tinha imensos. Mas costumávamos ouvir o Irmão do Meio, do Sérgio Godinho, e os Rio Grande (em cassete…!) em viagens grandes.
Se pudesses viajar no tempo para ver um artista ou banda já desaparecidos, até onde te levaria a viagem?
Brasil, década de 1970, Elis Regina.
O melhor disco para curar um desgosto amoroso.
JP Simões, “O Boato”.
E para ajudar a ultrapassar uma ressaca danada?
Bem, como não sou muito de beber, não faço ideia (não tenho ressacas,… ahah).
Três discos que voltam recorrentemente a entrar na tua playlist.
“A Seat at the Table”, da Solange; “Sometimes I Might Be Introvert”, da Little Sim; e o “Supermarket Joy” da Margarida Campelo.
A canção alheia que gostarias de ter escrito.
“A Pele que há em Mim!, da Márcia e JP Simões.
A melhor canção ou disco de 2026 (até agora)?
Gostei muito do “Abismo”, dos Cassete Pirata.
O filme de que gostaste tanto que já o reviste inúmeras vezes (e até já conseguiste decorar umas falas).
Disney conta? Se contar, “Mulan”, sempre! Nasci em 1994…. eheh.
O filme que te fez chorar tanto que tiveste de esperar uns minutos para sair da sala de cinema (para que ninguém te visse de olhos espremidos)?
“The Tale of the Princess Kaguya”, de Isao Takahata. Felizmente estava no meu quarto, em casa.
Aquele livro de que gostaste tanto que, se te tivesse sido emprestado, pensarias pelo menos duas vezes antes de devolvê-lo?
O “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago.
Se pudesses visitar um livro durante um dia, qual escolherias?
Estou neste momento a ler “Os Despojados” da Ursula K. Le Guin. Acho que gostava de viajar para um dos planetas que ela criou. Em particular Anarres, uma sociedade anarquista que vive na lua de outro planeta, Urras (cada um é a respectiva lua do outro).
A cena mais romântica que já fizeste por alguém.
Declarei-me à minha namorada num jardim carregado de árvores centenárias e paisagens lindíssimas, rodeadas de pavões, galinhas e pintainhos. Se isto para vocês não for romântico…
Aquela comida de que gostas tão pouco que, se te for servida num jantar de amigos, tens de inventar uma dor de barriga?
Ovos escalfados com ervilhas. Ou qualquer coisa com ervilhas, na verdade.
O prato que comerias sempre se não pudesses morder outra coisa.
Sushi. Ou qualquer coisa com coentros.
Se tivesses Cem Soldos – o que, na moeda corrente, equivaleria a uma valente pipa de massa – para gastar numa extravagância, o que seria?
Usaria esse dinheiro para tentar chegar aos senhores que andam a dar-nos cabo do mundo (e a dizimar populações inteiras) e colocar-lhes uma dose pouco saudável de laxante nas bebidas. Amém.
O concerto no Bons Sons vai ser…
Vai ser maravilhoso, estamos ansiosos e com musiquinhas novas para estrear em Cem Soldos! Já estamos a preparar o stock de protector solar e de esguichos!
Foto: Ana Carvalho dos Santos











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