Costuma dizer-se, fazendo valer a ancestral sabedoria popular, que é de pequenino que se torce o pepino. Um pensamento também válido para a política, sobretudo para quem alinha com Thomas Piketty na ideia de que é necessária uma visão mais igualitária do mundo, tratando de encontrar um novo significado para a palavra socialismo.
Sébastien Vassant e Stephen Desberg pegaram em “Uma Breve História da Igualdade” (Temas e Debates, 2025), esse manual político assinado por Piketty, e adaptaram-no à banda desenhada, uma derivação bem-sucedida de um livro que apresenta, a longo prazo, a história das desigualdades entre as classes sociais nas sociedades humanas. Desigualdade que antes de tudo é, segundo Piketty, “uma construção social, histórica e política”.
Vassant e Desberg conseguem condensar, em capítulos curtos, com uma arrumação gráfica que respiraria melhor com menos preenchimento e um sistema de cores quase únicas, que vão variando de capítulo para capítulo, as ideias-chaves do livro, bem como a visão e opinião políticas de Piketty.

Nesta viagem ilustrada, fala-se da concentração do poder e da propriedade, lançam-se farpas à fraca implementação estatal do estado social e do imposto progressivo, elencam-se as primeiras companhias comerciais europeias, relembra-se o descolonialismo extorsivo, fala-se da Revolução Francesa como um flop, atiram-se Thatcher e Reagan para a centrifugadora, critica-se o novo colonialismo patrocinado pela Europa, aponta-se a geografia das offshores e, em jeito de embrulho, mostra-se o caminho da mudança Há, ainda, dados qualitativos apresentados com flechas ascendentes e descendentes, ao estilo de um relatório empresarial apontado a accionistas. Sejam ou não de esquerda, Thomas Piketty é de leitura obrigatória.











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