“Paulo, o Pavão” (Nuvem de Letras, 2024) conta-nos a história de Paulo, um pavão a quem nada falta. O “maior ninho, o amigo mais leal e, claro… as penas mais bonitas da Floresta!”. É um pavão aparentemente deslumbrante, com uma cauda exuberante, que capta todos os olhares, mesmo que para tal necessite da preciosa ajuda de Bóris, o seu leal amigo, que todo o santo dia “certifica-se de que Paulo está muito bem tratado”. No entanto, à medida que a narrativa avança, o leitor compreende que, por detrás dessa magnífica beleza, existe uma inquietação subtil – Paulo sente que precisa sempre de impressionar os outros para ser aceite.
Uma noite, quando instalado no seu ninho – “o melhor de sempre” -, “soprou um vento forte e o céu ficou escuro e sombrio. O Paulo pediu ao Bóris para ir buscar mais uns ramos para o seu ninho acolhedor. Mas, dessa vez, o Bóris foi e não voltou”.
A tensão ia aumentando. A “tempestade tinha-lhe levado TUDO! Não tinha casa, Não tinha Bóris. E, pior que tudo…”. O que será que de pior aconteceu a Paulo? Será que o Bóris vai regressar para o ajudar? Ou encontrará Paulo outros amigos na sua nova aventura pela floresta?
“Paulo, o Pavão” é uma obra sensível, capaz de abrir espaço para o diálogo e para a descoberta do eu, do nosso interior, partindo da experiência de Paulo que, pouco a pouco, descobre que o seu valor não depende apenas do brilho exterior.
A escrita de Tilly Matthews é económica, mas expressiva. Cada frase parece cuidadosamente escolhida para dialogar com as imagens, nunca as sobrepondo, ampliando o seu significado. As ilustrações vibrantes, ricas em cor e textura, captam de forma magistral o contraste entre o esplendor visual de Paulo e os seus momentos de dúvida. Há, também, uma atenção ao detalhe que contribui para ampliar a leitura. Um bom livro para ler a par, em voz alta.











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