“Tão Simples” (Akiara Books, 2024) é mais um título da Akiara Books, editora que valoriza a Natureza, o Espanto e a Vida sempre com beleza, elegância e sensibilidade.
Alex Nogués constrói uma narrativa de forte dimensão poética, mais próxima da contemplação que da acção. Na primeira página, em formato duplo, as únicas palavras que vemos numa paisagem indefinida e de fundo verde são estas: “Natureza. O que nasce”. A partir daqui, o leitor é enfeitiçado com uma sucessão de momentos, quase epifânicos, que a vida nos oferece e que, muitos de nós, usufruem.

Incisiva, breve, poética, sensorial, emotiva e evocativa é o que se pode dizer acerca da linguagem. A vida é conhecida, saboreada e vivenciada através dos sentidos, das cores, sons, cheiros, texturas e sabores da natureza, nas coisas simples: um pau que encontramos no bosque; numa flor; no momento que recebemos “o verão numa cama de rede”; ao mergulhar os “pés em cem mil litros de água limpa”; ou “numa noite escura e uma galáxia que a encha de estrelas”.
O ritmo é paulatino, contemplativo, abrindo espaço à meditação, à reflexão e ao espanto que, em conjunto, suscitam ao leitor a ideia de que viver, antes de mais, é participar activamente nesses pequenos encontros quotidianos.

As ilustrações de María Elina desempenham um papel fundamental nessa construção de sentido. Realizadas com técnicas analógicas — como aguarela, guache e pastel —, revelam uma materialidade visível que reforça a ligação ao mundo natural. A paleta cromática e as texturas sugerem atmosferas envolventes, onde a natureza surge como espaço de descoberta, beleza e pertença. Algumas ilustrações são tão depuradas que reforçam a dimensão sensorial da experiência de leitura, oferecendo um espaço sensível e emotivo propício à contemplação, à meditação e a uma respiração pausada e serena, a uma tranquilidade tão necessária à celeridade dos dias em que vivemos.
As guardas, iniciais e finais, antecipam o tom contemplativo do livro, ajudando a criar uma continuidade entre o objecto físico e o conteúdo narrativo. Ao abrir e fechar o livro, o leitor permanece imerso nessa atmosfera de encantamento e serenidade, como se a experiência não tivesse um início ou um fim definidos, antes se prolongasse para além das páginas. Um álbum inspirador onde texto, imagem e materialidade se articulam de forma coerente, propondo uma leitura que é, simultaneamente, estética e filosófica, num exercício de espanto germinado pela relação sensível com o mundo.











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