“Olga e a Estranha Criatura Sem Nome” e “Olga – Vamos Embora Daqui!” (Nuvem de Letras, 2026) são os dois primeiros títulos das aventuras de Olga, uma jovem que é tão pequena que consegue ver o interior das narinas de todas as pessoas. Uma jovem peculiar e ligeiramente mal-humorada, que usa sempre um vestido de mangas compridas e é apaixonada por animais, ciência e descoberta. Com um olhar crítico sobre o mundo humano, assume-se como uma espécie de “cientista autodidata”, observando e registando tudo o que a rodeia. “A Olga quer ser uma grande zoóloga e tem um superlaboratório no seu quarto. Um dia, descobre uma criatura muito peculiar. Será uma nova espécie?”.
A narrativa híbrida, oscilando entre a narrativa tradicional, o diário ilustrado, a novela gráfica e a partilha de elementos quase documentais – anotações, esquemas, comentários da protagonista e observações (as quais estão numeradas) -, sugerem uma metodologia científica, como forma de conhecer o mundo, sempre marcada por um tom humorístico e irreverente.

A paleta de cores, escolhida por Elise Gravel, é marcada pelos tons vermelhos, pretos, cinza e brancos, criando uma base neutra, quase “científica”, recordando os cadernos de apontamentos ou registos experimentais. O vermelho surge como cor de destaque, como se tratasse de um alerta para elementos importantes – tais como as emoções, descobertas e momentos-chave -, mas também sublinhando a intensidade emocional de Olga, a sua energia ou momentos de tensão, funcionando como um guia visual para o leitor. O traço é simples, expressivo e intencionalmente “imperfeito”, aproximando-se da caricatura.
Em “Olga e a Estranha Criatura Sem Nome”, o leitor fica a conhecer a Olga, excêntrica, curiosa, independente, a menina cientista fanática por animais que aqui encontra uma estranha criatura fedorenta a que decide chamar de Meh – “Claramente não era um unicórnio, nem ladrão ou uma larva mutante gigante. Parecia um cruzamento entre um hámster inchado e uma batata, desenhado por uma criança de três anos”. Curiosa, Olga observa atentamente o ser estranho, misterioso e fedorento. Certa de que descobriu uma nova espécie, leva-a para casa para a poder estudar de forma sistemática, como uma verdadeira cientista: observa, regista comportamentos, formula hipóteses e tenta compreender esta criatura enigmática. O jovem leitor não quer perder nenhuma das aventuras de Olga, que tem dificuldade em lidar com os humanos, em contraste com a sua ligação aos animais.

“Olga – Vamos Embora Daqui!”, o segundo volume da colecção, desenrola-se a partir da relação já estabelecida com Meh. Olga acredita que a criatura poderá ter origem extraterrestre e decide preparar uma fuga da Terra, numa nave especial em forma de banana, para encontrar o seu planeta de origem. As complicações surgem quando Meh começa a comportar-se de forma estranha, obrigando Olga a procurar um veterinário. Após algumas pesquisas, encontrou o melhor veterinário do universo: Dr. Barbosa, especializado em animais de estimação exóticos. Será que conseguirá ajudar Meh?

Olga foge aos estereótipos, sendo uma rapariga científica, independente e excêntrica, o que contribui para uma maior diversidade de modelos identitários. O humor de Olga, assim como o seu olhar distanciado sobre os seres humanos, contribuirão para que o jovem leitor questione as normas, os comportamentos, mas também a amizade, a empatia e o respeito pela alteridade.











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