Já é conhecida a programação de Junho da ZDB, o aquário mais musical de Lisboa, a que não faltam concertos fora de portas. Ficam as apresentações, sempre com banda sonora.
SÁBADO 2 JUNHO / 21H30 / REITORIA DA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
ZDB apresenta: Matmos
Trinta anos de carreira assegurados por uma vontade maior de encontrar formas únicas de criar música electrónica viva, que transcende em permanência a barreira daquilo que se espera ouvir. Esse é o projecto de vida de Drew Daniel e M.C. Schmidt enquanto Matmos, uma ideia em movimento que, pode-se afirmar com segurança, é um arquivo vivo de sons e, por consequência, de memórias. Daniel e Schmidt criam música para espaços imaginários, onde realidade e fantasia convivem e sons reconhecíveis se misturam com outros inventados por eles.
O seu mais recente álbum, “Metallic Life Review”, composto a partir de sons metálicos que foram recolhendo ao longo de anos, por todo o mundo, ouve-se como música electrónica, sente-se como música natural, onde a ideia de híbrido deixa de funcionar e existe apenas a presença de que esta música faz parte de nós.
QUINTA 4 JUNHO / 21H
Super Ballet: Femtanyl apresentam ‘MAN BITES DOG’
← 3L3D3P
Noelle Mansbridge e Juno Callender formam a dupla-guerrilha femtanyl, que busca caos, emoção e hedonismo num despejo pop enredado numa electrónica conscientemente avariada e desorientadora. O recentemente editado álbum “MAN BITES DOG” reúne uma dezena de bombas sensoriais, genuínas pérolas para as celebrações mais suadas e à procura de estoiro. Retiram prazer do excesso e mostram como se põe o mundo de pernas para o ar. Passam por Lisboa como um furacão fugaz, dois dias antes de pisarem o palco do Primavera Sound em Barcelona.
A energia crua da influência do punk hardcore dos primórdios, fundida com as complexidades dos géneros electrónicos, é onde encontramos a porta de entrada para o mundo de 3L3D3P. Industrial e ousado. Digital, mas cru. Emocionante com um brilho vibrante. O som inovador de 3L3D3P transporta-nos para o futuro da música. Um enigma; nunca se esperaria que o punk electrónico de vanguarda viesse de South Central, em Los Angeles.
SEGUNDA 8 JUNHO / 21H30 / B.LEZA
ZDB apresenta: Lucrecia Dalt ‘A Danger to Ourselves’
← Alex Lazaro
A atenção que o mundo tem dado a Lucrecia Dalt só tem vindo a crescer nos últimos anos. Estas coisas são um processo e, se calhar, sem um caminho tão dedicado à electrónica experimental, teria sido difícil a colombiana encontrar a clareza de espírito para formular uma pop singular como o faz em “A Danger To Ourselves” e que já simulava em “¡Ay!”. O que torna isto tão especial é que se sente espectros de tudo o que está a acontecer pelo mundo na Lucrecia Dalt que teremos o prazer de encontrar no dia 8 de Junho no B.Leza. Há Rosalía antes de Rosalía – não é crime dizê-lo – enquanto afirma uma sensibilidade que atenua a electrónica angular e faz a sua voz deslizar num manto sombrio.
O percussionista, compositor e produtor Alex Lazaro irá abrir a noite. Nas suas atuações, reimagina a bateria como um parque infantil escultural — uma arquitetura percussiva ao estilo de Gaudí que exige a rotação de todo o corpo.
TERÇA 9 JUNHO / 21H30 / AUDITÓRIO DA REITORIA DA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
ZDB apresenta: Beverly Glenn-Copeland ‘Laughter in Summer’
Com mais de cinco décadas de trabalho pioneiro na música folk, electrónica e espiritual, o cantor, compositor e ávido defensor da visibilidade trans Beverly Glenn-Copeland traz agora à Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa “Laughter in Summer”” O novo álbum – e um dos mais comoventes da sua carreira de mais de cinco décadas – é uma meditação luminosa sobre o amor, a companhia, o envelhecimento e a transcendência.
QUARTA 17 JUNHO / 21H
YHWH Nailgun ← OkA
Suspensas numa instrumentação, pouco surpreendente à partida, de bateria, guitarra e sintetizador, as breves canções de YHWH Nailgun tomam o pulso rítmico imaginativo de Sam Pickard como força vital para abancar espasmos de guitarra, texturas vítreas de sintetizador, pulsões de graves e a voz com grão, como quem exalta a revolta do cansaço, de Zack Borzone. Sublimando o ritmo, o quarteto nova-iorquino finta princípios base do rock e do punk numa matéria descarnada, reduzida ao essencial, e que vai encontrando forma de revolver elementos familiares em algo novo e cativante.
Os OkA são um trio de noise punk sediado em Lisboa. A sua música vive na tensão, na contradição e no excesso, como uma bolha encharcada, cheia de tudo e de nada ao mesmo tempo. Influenciados pela energia crua dos Melt-Banana, pela imprevisibilidade lúdica dos Deerhoof e pela liberdade radical dos Naked City, movem-se entre o humor e a ruptura com um raro sentido de equilíbrio.
QUINTA 18 JUNHO / 21H
João Pereira / Luís Vicente / Michael Formanek /
Ziv Taubenfeld ← Filipe Felizardo
Em aparição na ZDB após uma produtiva sessão de estúdio cujo resultado se irá materializar em disco, este quarteto de “velhos conhecidos” – Luís Vicente, Michael Formanek, Ziv Taubenfeld e, no lugar de Jeff Williams que infelizmente não poderá estar presente, João Pereira – traz a palco uma música dedicada aos espíritos de Robert Wyatt e Abdullah Ibrahim. Figuras imponentes cuja vida e obra ilumina, de uma forma não tão óbvia mas sentida, as múltiplas direcções tomadas por esta banda de músicos bem traquejados e percurso igualmente valoroso e distintos nos terrenos do jazz e da improvisação.
O concerto de Filipe Felizardo vem, segundo o próprio, sem nenhuma pompa e circunstância: em estado de graça depois de ter feito uma tournée de 7 datas em fevereiro passado com o Yann Gourdon, o guitarrista quis simplesmente marcar uma data para manter o traquejo. “Deverá ser aquilo que estiver a entusiasmar-me mais nos dias que antecederem o concerto. Se é uma nova composição ou reinterpretação em 12 cordas de alguma peça antiga, logo se vê”.
SÁBADO 27 JUNHO / 22H
Elvin Brandhi & Pedro Alves Sousa ← Emiddio Vasquez
Dona de uma existência nomádica na terra e no espírito, Elvin Brandhi regressa a este país, onde residiu durante uma temporada, para uma residência conjunta com o nosso bem conhecido Pedro Alves Sousa. Sem muito que nos prepare para o que aí vem, poderíamos até pensar na participação de Brandhi em “All You Did” de Má Estrela como prenúncio para esta residência, mas dada a natureza destas duas personas, o melhor é mesmo deixar cair expectativas e irmos ao desconhecido. Como elas tão bem têm feito.
Emiddio Vasquez é um músico, artista e teórico cipriota-dominicano que trabalha sob vários pseudónimos musicais. As suas performances sonoras incluem frequentemente electrónica improvisada e técnicas de síntese que variam em termos de intensidade e complexidade.











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