Vistam os calções, enfiem os chinelos, coloquem os óculos, ajeitem a touca e preparem-se para um mergulho na piscina construída – o mesmo que dizer escrita e desenhada – por Bastien Vivès. “O Gosto do Cloro” (Devir, 2026), mais um livro da colecção Angoulême publicada pela Devir, levou para casa o Prémio Revelação em 2009, e passa-se quase em exclusivo numa piscina, uma história feita de superação que marca a passagem da infância para a idade adulta.

O protagonista, um jovem algo tímido e pouco confiante, começa a frequentar a piscina por indicação do seu médico, com vista a tratar uma escoliose que já fez demasiados estragos. Nessa piscina, onde apenas se arrisca a nadar de costas, irá conhecer uma rapariga, antiga campeã de natação, que o irá ensinar a nadar e, pelo caminho, a descobrir uma confiança que julgava perdida.
O jovem sente-se atraído pela nadadora, mas cedo percebemos que o sentimento não é mútuo, levando a um final onde as lágrimas, se as há, poderão disfarçar-se no cheiro – e no gosto – do cloro. Seja como for, por entre a tristeza habita um sentimento de superação, individual e na ligação com o mundo.

Logo nas primeiras vinhetas, Bastien Vivès trata de fazer da piscina o mundo do leitor, servindo-lhe um primeiro plano de corpos submersos a um outro, mais superior e vertiginoso, onde se sente toda a atmosfera de uma piscina habitada por muitos. Sente-se, a cada virar de página, toda a tensão, leveza e momentos de apneia, num domínio dos tons e meios tons azuis que captam, na perfeição, toda a geografia aquática e os seus muitos silêncios e movimentos.











Sem Comentários