“Este lugar fede a degradação e miséria. É este o estado actual da humanidade? Bêbada. Velha. E doente. As coisas eram bem diferentes, quando caminhei na Terra da última vez”. É com este espírito aparentado ao Velho do Restelo que tem início “O Arauto: Volume Um” (A Seita/ Comic Heart, 2024), o primeiro volume de uma trilogia escrita e desenhada por Ruben Mocho.
O palco da narrativa são as planícies do Velho Oeste, juntando-se saltos ocasionais à Grécia antiga, sempre em busca de Aaron Cassidy por entre múltiplas referências ao Evangelho de São Lucas. Arauto, um pistoleiro de ar desconfiado – e que, ao contrário de Lucky Luke, ainda mantém aceso o vício da nicotina -, caminha na companhia de uma estranha tripla: Sombra, um cavalo vindo de tempos imemoriais; um Corvo misterioso que, qual drone, mapeia toda uma geografia; e Blasfémia, um cão infernal de grandes proporções.

Na travessia, o Arauto irá cruzar-se com um velhote com uma condição física invejável (remédios divinos não lhe faltam), que decide fazer do deserto um ringue de boxe, decidido a desancar o Arauto como se fosse Ali nos seus tempos áureos. Para o final fica uma bem castiça revelação sobre este personagem de idade maior, bem como uma caderno de extras que inclui capas várias e uma descrição das personagens com altura, peso e idade (e muito sumo).
As ilustrações são um festim de cor, num álbum iniciático que transmite uma vibração muito com o embalo da pop art. A busca por Aaron Cassidy prossegue no próximo volume.











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