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“Mesmo Quando Não Me Vês” | Marine Guérinat, Claire Wyniecki e Hua Ling Xu

Por Julia Martins · Em 07/07/2026

Há livros que nos deixam completamente maravilhados, como este “Mesmo Quando Não Me Vês” (Orfeu Negro, 2026). Um álbum ilustrado que se constrói na sensível e elegante articulação entre texto e ilustração, para aportar a invisibilidade no vínculo afectivo: “mesmo quando não me vês… continuo a amar-te e a pensar em tudo o que precisas. (…) Nunca te vou abandonar. Vou continuar sempre a amar-te”.

A narrativa destaca-se pela sua simplicidade poética e pela intencionalidade emocional de cada pensamento, de cada afirmação, na voz de uma mãe. A repetição “mesmo quando não me vês” induz um ritmo tranquilizador, funcionando quase como uma promessa afectiva, perseverante, justificando a visibilidade do invisível. Numa linguagem afectuosa, de proximidade, esclarece-se a importância das ausências, mas sempre fortalecendo a ideia de continuidade, amor e pertença.

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Ao virar de cada página, encontra-se espaço para pensar o papel da mãe e da necessidade imperativa de as mães poderem ter tempo e espaço próprios, fora da relação exclusiva com os filhos. A ideia de que o afecto permanece mesmo na ausência, admite desconstruir a noção de que a parentalidade exige presença contínua e total. Quando há um espaço para nós próprias [as mães], a relação com os outros [os filhos] torna-se mais saudável, mais autêntica e, às vezes, mais intensa. “Não estou sempre contigo, porque também gosto de estar com as minhas amigas…Ou porque, às vezes, preciso de estar sozinha. Mas continuo a amar-te”.

As ilustrações combinam, harmoniosa e elegantemente, a luminosidade e a poesia, o silêncio e o dizer, a ausência e a presença, a visibilidade e o invisível, o desenho e os elementos fotográficos, criando uma estética híbrida que aproxima o imaginário do real. No final, o leitor pensará que o afecto e o amor, o pensamento e as emoçõesc têm textura e um espaço próprio no ritmo dos dias.

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“Mesmo Quando Não Me Vês” é um convite para pensar o cuidar. O amor maternal é permanente e deverá apostar na confiança, na segurança emocional e no respeito pelo espaço individual de todos os envolvidos. Este é um livro maravilhoso e reflexivo, dialogante e perguntador. Um livro para ter por perto, para ler e dar a ler.

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Julia Martins

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