A Cavalo de Ferro continua investida numa missão de serviço público, fazendo chegar às livrarias alguns dos livros que têm o sobressalto – ou o terror – como principal força motora. É o caso deste “Elizabeth” (Cavalo de Ferro, 2026), um clássico do terror protagonizado por alguém que se apresenta desta forma, em jeito de cartão-de-visita: “Vim viver com a minha avó há cerca de um ano, depois de ter matado os meus pais. Não quero parecer insensível. Permita-me que lhe explique”.
Elizabeth Cuttner é o nome da jovem protagonista de 14 anos que, após a morte dos pais, se vê acolhida pela avó e o tio-amante, vivendo numa mansão em Manhattan que resiste ao progresso tecnológico, materializado em edifícios a tocar o céu.
Ao olhar-se num dos muitos espelhos da mansão, Elizabeth fica a saber, da boca de Frances, uma familiar sua que viveu por volta de 1590, uma verdade que havia já pressentido: é descendente de uma longa linhagem de bruxas, que se viram perseguidas ao longo do tempo como uma ameaça.
Ken Greenhall construiu, neste “Elizabeth”, um curto mas intenso romance de terror gótico, um jogo de espelhos onde descobrimos laivos de erotismo, relações abusivas, uma família disfuncional, comportamentos sádicos e, sobretudo, uma personagem com um sangue-frio capaz de ombrear com Dexter ou Hannibal Lecter, e para quem o mal se apresenta como um dom de família. Muito cuidado da próxima vez que se olharem ao espelho.











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