“A Minha Amiga Árvore” (Fábula, 2025), de Dawn Casey, é um álbum ilustrado sensível e poético, que convida o leitor a observar o mundo natural com atenção.
A narrativa, num tom lírico e delicado, acompanha duas crianças que estabelecem uma relação especial com uma árvore. À medida que os anos passam, a árvore cresce, tal como crescem as crianças, as suas memórias e os laços que as unem. O leitor acompanha, assim, o ritmo do tempo: a infância, a descoberta, o amor, a formação de uma família, o crescimento e a maturidade – a vida.
Não poderemos falar deste livro sem falar da árvore, transversal a toda a narrativa. A árvore simboliza a vida e a renovação, a imortalidade, a vitalidade, a fertilidade e o crescimento contínuo, comuns em várias culturas. A árvore torna-se testemunha silenciosa dessas transformações, representando o ciclo da vida e a continuidade entre gerações.
O texto é simples mas significativo, sugerindo a ideia de que os seres humanos fazem parte de uma grande família natural, ligada pela terra, pelas estações e pelo cuidado mútuo. No final do livro, é proposto ao leitor que semeie uma bolota que, com o tempo, se transformará em árvore. Um ensinamento de paciência, de espera e de saber cuidar. Um convite para estabelecer uma relação próxima com a natureza.
As ilustrações de Geneviève Godbout desempenham um papel essencial na construção da atmosfera do livro. Com traços suaves e uma paleta de cores delicada, as imagens criam paisagens que transmitem serenidade e intimidade. A árvore, elemento central da narrativa visual, surge em diferentes momentos do ano e em diferentes fases de crescimento, reflectindo as mudanças que ocorrem, também, na vida das personagens. Deixam também transparecer as emoções, evocando um equilíbrio harmonioso entre a imagem e a palavra, transformando a leitura num percurso sensorial e contemplativo.
Um livro que nos fala de amor, de pertença e da arte de cuidar. Ao acompanhar o crescimento de uma árvore e das pessoas que vivem à sua volta, recorda-nos que a nossa história está profundamente entrelaçada com a história da natureza, e que cuidar dela é também cuidar de nós.











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