• Mil Folhas
  • Música Com Cabeça
  • Cine ou Sopas
deusmelivro
Antígona, Deus Me Livro
Mil Folhas, Zoom 0

Antígona: mais seis meses a refractar como ninguém

Por Pedro Miguel Silva · Em 22/01/2016

No que diz respeito à arte de refractar (leia-se: resistir, impelir à acção, dinamitar o sistema), dificilmente qualquer editora conseguirá chegar perto da Antígona, que tem no espírito subversivo o seu grande motor e alimento. Os primeiros seis meses de 2016 trazem muitas e recomendadas edições, entre guiões, ensaios, cartas e romances. Seguem-se as novidades da Antígona  (com textos retirados do press release).

Janeiro

“A Nebulosa”, de Pier Paolo Pasolini
(Guião)
Tradução de Manuela Gomes

pasolini“A Nebulosa” (1959) impôs a Pasolini «vinte dias atrozes fechado num hotelzito a trabalhar como um cão». Guião literário escrito em 1959, irreconhecível no filme Milano nera (1961), e que se lê como um romance negro, apenas em 1995 foi resgatado ao esquecimento. Texto febril e colérico, A Nebulosa mergulha na periferia de uma Milão envolta em névoa, com «fieiras de luzes e de prédios envidraçados», onde um grupo de teddy boys, numa estonteante noite de fim de ano, afoga na mais extremada violência as suas frustrações. Nesta ronda frenética com contornos de Laranja Mecânica, em que só néons de bares pontuam a longa noite sem estrelas da juventude tentada pelo abismo, estão na mira de Pasolini a perversão moral engendrada pela sociedade afluente e o seu desprezo por tudo.

Fevereiro

“O Universo Concentracionário”, de David Rousset
(Ensaio)
Tradução, introdução e glossário de  João Tiago Proença

roussetDavid Rousset foi um dos primeiros deportados a descrever os mecanismos e a lógica dos campos de concentração, que o nazismo levou ao paroxismo do horror. Escrito em Agosto de 1945 e inédito em Portugal, “O Universo Concentracionário” revela o sistema que neles operava, pondo a nu as suas molas psicológicas e as hierarquias que neles se estabeleciam. Este texto de Rousset, filósofo de formação, é amplamente citado por Hannah Arendt n’ As Origens do Totalitarismo.

“Cartas a Um Jovem Poeta”, de Rainer Maria Rilke
(edição bilingue)
Tradução e posfácio José Miranda Justo

rilkeEdição bilingue, posfaciada por José Miranda Justo, das dez epístolas trocadas ao longo de cinco anos entre Rilke e Franz Xaver Kappus, jovem que procurava dar os primeiros passos no domínio da escrita poética. Um compêndio vital sobre a conduta e o ofício do poeta e a arte da escrita.

 

 

“Viagem aos Confins da Cidade“, de Leonardo Lippolis
(Ensaio)
Tradução de Margarida Periquito

“Viagem aos Confins da Cidade” é uma indagação sobre a crise da metrópole e sobre o imaginário de uma época que, nas transformações das suas cidades, lê o seu inexorável declínio. Uma reflexão sobre o destino das cidades contemporâneas, quer idealizadas por filósofos e urbanistas, quer por romancistas e cineastas.

Março

“A Armadilha Daech  – O Estado Islâmico ou o Retorno da História”, de Pierre-Jean Luizard
(Ensaio)
Tradução Pedro Carvalho e Guerra

O historiador Pierre-Jean Luizard reconstitui neste livro a dinâmica do Daech, restituindo-a sobretudo ao seu contexto. Recuando ao período colonial e à presença otomana, A Armadilha Daech traça um amplo quadro geo-histórico e é uma lúcida análise dos efeitos duradouros provocados pela emergência do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

 

“Kallocaína”, de Karin Boye
(Romance)
Tradução do sueco João Reis

karin boye“Kallocaína” (1940) é um romance distópico inspirado pelo apogeu do nacional-socialismo na Alemanha, na veia de 1984, de George Orwell e de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Num futuro desumanizado e totalitário, um estado militar controla a sociedade, que se vergou à sua vontade, na ânsia da segurança prometida. Quando o cientista Leo Kall inventa um soro da verdade, o Estado não se coíbe de querer extorquir todos os segredos e pensamentos dos seus cidadãos. Um romance opressivo que concebe a ditadura como algo inerente à consciência individual e que se revela clarividente no que toca ao uso de drogas como elemento de controlo de massas.

“Uma Apologia do Ócio / A Conversa e os Conversadores”, de Robert Louis Stevenson
(Ensaios)
Tradução de Rogério Casanova

stevenson“Uma Apologia do Ócio” (1877) apresenta, precisamente, o ócio como uma crítica tomada de posição, à disposição de todos. Como arte de viver com benefícios comprovados, em busca do «palpitante calor da vida», assim se desmonta um quotidiano acinzentado pelas obrigações laborais. Dois textos de Robert Louis Stevenson que nos convencem de que o ócio e a conversa merecem figurar como artes maiores, a cultivar, na vida do homem.

 

Abril

“O Palácio do Riso”, de Germán Marín
(Romance)
Tradução de Helena Pitta; Prefácio de Roberto Merino; Posfácio de Júlio Henriques

german marinRomance de rara perfeição, “O Palácio do Riso” (1995) recria, entre passado e presente, a história da Villa Grimaldi, um dos maiores centros de tortura durante a ditadura de Pinochet, também apodado jocosamente de Palácio do Riso pelos agentes da polícia política. Quando um narrador, nunca nomeado, revisita o edifício, o passado feliz da casa funde-se com um legado de barbárie e com as vivências de quem enfrenta o horror de olhos bem abertos. História de decadência de um país, é uma viagem ao coração de um trauma pela mão experiente de um autor que sempre condenou abertamente a ocultação colectiva de infâmias.

“Oreo”, de Fran Ross
(Romance)
Tradução de Paulo Faria

fran rossO romance satírico “Oreo” (1974), «demasiado avançado para o seu tempo», segundo a crítica, é uma pérola injustamente esquecida e redescoberta em 2015 pelo público americano. Oreo, a personagem principal, filha de mãe negra, parte em busca do pai judeu na Grande Maçã, convertendo-se num Teseu moderno com laivos feministas. A insólita linguagem, a corrosiva crítica social e o humor picaresco fazem de Oreo uma obra surpreendente.

 

“A Vida sem Princípios”, de Henry David Thoreau
(Ensaio)
Tradução de Luís Leitão

thoreauN’”A Vida sem Príncípios” (1863), Henry David Thoreau desenvolve o seu pensamento sedicioso, demonstrando que as necessidades materiais e as contingências diárias são um entrave ao crescimento espiritual e alertando-nos para as armadilhas mundanas em que facilmente nos enredamos. Ensaio-programa de vida, nele se exalta o individualismo e a comunhão com a natureza, advogando a rejeição da sociedade.

 

Maio

“Conta-me Uma Adivinha”, de Tillie Olsen
(Contos)
Tradução de Manuela Gomes; Posfácio de Diana V. Almeida

tillie olsen“Conta-me Uma Adivinha” (1961) reúne quatro dos melhores contos de Tillie Olsen, revelando a voz de uma América que tivera pouca expressão até então: «Eis-me aqui, a passar a ferro» dá voz a uma mãe preocupada, que realiza tarefas domésticas; «Ei marinheiro, que navio?» relata o progressivo isolamento de um homem embarcado, cada vez mais perdido no álcool; «Ó Sim», sobre o racismo imbrincado na sociedade negra; e o conto que dá nome à colectânea: «Conta-me Uma Adivinha», que acompanha o declínio físico de uma matriarca.

“Maçãs Silvestres e Cores de Outono”, de Henry David Thoreau
(Ensaios)
Tradução de Luís Leitão

A par dos seus textos políticos mais interventivos, Thoreau celebrizou-se pela nature writing, textos telúricos em que a natureza, a sua nobreza e sagacidade dão azo a reflexões e inevitáveis comparações com a vida humana. A colectânea reúne “Maçãs Silvestres” (1862), um dos últimos textos do autor, e “Cores de Outono”, matéria para uma genuína apologia dos sentidos e para fugazes, mas intensas, experiências vivificantes.

Antígona

Pedro Miguel Silva

Pode Gostar de

  • Onde Esconder Uma Estrela, Oliver Jeffers, Deus Me Livro, Crítica, Orfeu Negro, Mil Folhas

    “Onde Esconder Uma Estrela” | Oliver Jeffers

  • Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva, Deus Me Livro, Crítica, D. Quixote, Dom Quixote, Mil Folhas

    “Feliz Ano Velho” | Marcelo Rubens Paiva

  • Duke, Deus Me Livro, Arte de Autor, Crítica, Duke 7, Este Mundo Não é o Meu, Hermann H., Yves H., Mil Folhas

    “Duke 7: Este Mundo Não é o Meu” | Hermann & Yves H.

Sem Comentários

Deixe uma opinião Cancelar

Siga-nos aqui

Follow @Deus_Me_Livro
Follow on Instagram

Mil Folhas

  • Onde Esconder Uma Estrela, Oliver Jeffers, Deus Me Livro, Crítica, Orfeu Negro,

    “Onde Esconder Uma Estrela” | Oliver Jeffers

    05/03/2026
  • Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva, Deus Me Livro, Crítica, D. Quixote, Dom Quixote,

    “Feliz Ano Velho” | Marcelo Rubens Paiva

    05/03/2026
  • Duke, Deus Me Livro, Arte de Autor, Crítica, Duke 7, Este Mundo Não é o Meu, Hermann H., Yves H.,

    “Duke 7: Este Mundo Não é o Meu” | Hermann & Yves H.

    05/03/2026
  • Gannibal, A Seita, Deus Me Livro, Crítica, Gannibal 5, Masaaki Ninomiya,

    “Gannibal 5” | Masaaki Ninomiya

    04/03/2026
  • A Aventura do Sapo: Caos e Coaxos, A Seita, Deus Me Livro, Crítica, André F. Morgado, Kachisou,

    “A Aventura do Sapo: Caos e Coaxos” | André F. Morgado e Kachisou

    04/03/2026
Acha o Deus Me Livro diferente? CLIQUE AQUI.

Archives

  • March 2026
  • February 2026
  • January 2026
  • December 2025
  • November 2025
  • October 2025
  • September 2025
  • August 2025
  • July 2025
  • June 2025
  • May 2025
  • April 2025
  • March 2025
  • February 2025
  • January 2025
  • December 2024
  • November 2024
  • October 2024
  • September 2024
  • August 2024
  • July 2024
  • June 2024
  • May 2024
  • April 2024
  • March 2024
  • February 2024
  • January 2024
  • December 2023
  • November 2023
  • October 2023
  • September 2023
  • August 2023
  • July 2023
  • June 2023
  • May 2023
  • April 2023
  • March 2023
  • February 2023
  • January 2023
  • December 2022
  • November 2022
  • October 2022
  • September 2022
  • August 2022
  • July 2022
  • June 2022
  • May 2022
  • April 2022
  • March 2022
  • February 2022
  • January 2022
  • December 2021
  • November 2021
  • October 2021
  • September 2021
  • August 2021
  • July 2021
  • June 2021
  • May 2021
  • April 2021
  • March 2021
  • February 2021
  • January 2021
  • December 2020
  • November 2020
  • October 2020
  • September 2020
  • August 2020
  • July 2020
  • June 2020
  • May 2020
  • April 2020
  • March 2020
  • February 2020
  • January 2020
  • December 2019
  • November 2019
  • October 2019
  • September 2019
  • August 2019
  • July 2019
  • June 2019
  • May 2019
  • April 2019
  • March 2019
  • February 2019
  • January 2019
  • December 2018
  • November 2018
  • October 2018
  • September 2018
  • August 2018
  • July 2018
  • June 2018
  • May 2018
  • April 2018
  • March 2018
  • February 2018
  • January 2018
  • December 2017
  • November 2017
  • October 2017
  • September 2017
  • August 2017
  • July 2017
  • June 2017
  • May 2017
  • April 2017
  • March 2017
  • February 2017
  • January 2017
  • December 2016
  • November 2016
  • October 2016
  • September 2016
  • August 2016
  • July 2016
  • June 2016
  • May 2016
  • April 2016
  • March 2016
  • February 2016
  • January 2016
  • December 2015
  • November 2015
  • October 2015
  • September 2015
  • August 2015
  • July 2015
  • June 2015
  • May 2015
  • April 2015
  • March 2015
  • February 2015
  • January 2015
  • December 2014
  • November 2014
  • October 2014
  • September 2014
  • August 2014
  • July 2014
  • Contacto