Actualmente, conhecer a filosofia grega e romana tornou-se particularmente importante para os jovens – e para todos em geral -, que vivem num contexto marcado pela celeridade, a diversidade de estímulos e o excesso de informação, retirando-lhes tempo para pensar, reflectir e até meditar.
O pensamento clássico ensina a questionar, argumentar, reflectir e construir opiniões fundamentadas, desenvolvendo competências essenciais numa sociedade cada vez mais dominada pela informação imediata e superficial. Filósofos como Protágoras, Sócrates, Eurípedes, Platão, Aristóteles, Séneca e Cícero, entre outros, continuam a contribuir significativamente para pensarmos temas actuais, como a felicidade, o tempo, a escuta, a ética, a liberdade, o conhecimento, ensinar e aprender, os vícios e excessos ou a relação com os outros.

A reflexão e o diálogo sobre estes temas pode [e deve] contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico e a construção enquanto pessoa humana, representando também uma oportunidade para compreender melhor a experiência humana e cultivar uma vida mais reflexiva e crítica. É neste contexto que o livro “A Sabedoria dos Clássicos” (Akiara Books, 2026) se revela uma novidade editorial muito relevante, pois aproxima os jovens leitores do pensamento clássico greco-latino através de aforismos e reflexões que abordam questões como a inveja, a arrogância, a honestidade, a amizade, o auto-conhecimento ou a esperança, que atravessam as páginas desta obra com uma clareza desarmante, mostrando como os clássicos continuam a dialogar com os dilemas do presente.
São, ao todo, trinta ensinamentos inspirados no mundo clássico, que se relacionam com questões actuais e valores humanos universais. Jordi Rincón confessa que “aprendi muito cedo que o latim e o grego não são, de modo algum, cinzas do tempo, mas sim vozes que ainda nos falam ao ouvido, com palavras antigas e precisas, acerca de quem somos e de quais os nossos medos e desejos”. O seu texto identifica-se pela simplicidade e a elegância. Sem recorrer a discursos excessivamente académicos, consegue aproximar os jovens leitores da filosofia clássica de forma acessível, humana e profundamente actual.

As ilustrações são também singulares. Em página inteira, complementam e ampliam o mundo dos significados, ajudando a construir uma atmosfera quase poética, criando uma experiência de leitura contemplativa e sensível – uma leitura pausada. Um livro para abrir devagar e ler lentamente, ao qual regressar e que serve para dialogar (e sublinhar). Uma leitura que nos recorda que a literatura e a filosofia são espaços de pensamento, beleza e questionamento.
(Re)Ler os clássicos permite compreender melhor as raízes culturais da civilização ocidental, conceitos e valores como a prudência, o equilíbrio, o respeito pelo outro, o auto-conhecimento e a procura da virtude, que marcam presença neste pequeno livro e nos ajudam a pensar o mundo de forma mais consciente e humanista. “A Sabedoria dos Clássicos” é muito mais do que um livro informativo sobre o mundo antigo: é um convite à reflexão sobre aquilo que somos e sobre aquilo que queremos ser.











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