“As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” (Nuvem de Letras, 2025) oferece ao leitor um dos textos mais célebres da literatura para crianças e jovens, lido também por muitos adultos. Esta nova edição combina beleza estética com a fidelidade ao texto original.
O texto de Lewis Carroll, carregado de imaginação, humor e desafios, encontra nas ilustrações de Joe Todd-Stanton uma nova vida: o País das Maravilhas ganha contornos contemporâneos, sem perder a estranheza e o encanto que o tornaram um clássico. A tradução de Raquel Patriarca reconhece a necessidade de ajustes para que o leitor português tenha uma experiência fluida de leitura, respeitando o ritmo e ajudando a tornar compreensíveis os jogos linguísticos, o humor vitoriano e o nonsense, sem nunca perder a originalidade de Carroll.

Alice no País das Maravilhas é muito mais do que uma narrativa para crianças e jovens: é uma fantástica viagem pelo poder da imaginação, da criatividade, do raciocínio lógico e da linguagem. Carroll, matemático, faz uma crítica divertida e subtil ao racionalismo vitoriano, criando um mundo onde a lógica é invertida através de personagens bizarras – a Lebre de Março, o Chapeleiro Louco ou a Rainha de Copas, entre outras -, evidenciando o caos das convenções sociais e linguísticas. Alice simboliza o olhar infantil diante do absurdo adulto: curiosa, crítica e sempre à procura de um sentido.
O texto de Carroll continua a manter o seu poder cativante: a queda de Alice pela toca do coelho, as transformações de tamanho, os encontros com personagens excêntricas, sempre a lógica invertida — toda a estrutura da narrativa permanece fiel ao espírito original.

Nesta edição, as ilustrações de Joe Todd-Stanton destacam-se por traços delicados, expressões subtis e uma paleta cromática que recordam o cinema de animação japonesa, tornando esta edição numa dupla fruição: a literária e a visual. As ilustrações não se limitam a ampliar o texto – participam na narrativa, surgindo algumas vezes como guia visual, orientando a leitura, as emoções e a resolução dos desafios colocados. Tudo sem substituir o texto, dilatando antes o seu sentido. Um livro para ler e reler. Para dialogar e observar.











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