E eis que, pelas mãos do norte-americano Sean Baker (autor de “Batman: Beyond the White Knight”, entre outros), um velho mito ganha uma nova e electrizante vida. “Zorro: O Regresso de Entre os Mortos” (Asa, 2025) faz reviver o legado de Diego de la Vega, acrescentando-lhe um olhar moderno, celebrado efusivamente pelas cores de Simon Cough.
Por estes dias, Zorro é decididamente uma espécie de mito urbano, uma lenda que ganha vida apenas uma vez por ano, no momento em que os disfarces saem da gaveta para animar o Dia dos Mortos. Quem parece não ser grande fã de Zorro é El Rojo, o dono disto tudo em La Vega que, vinte anos atrás, assassinou o pai de Rosa e Diego, apenas porque este se mascarou de um símbolo que Rojo vê como “um desafio” à sua autoridade.

No presente, duas décadas após o assassínio de seu pai, os irmãos vivem vidas bastante diferentes: Rosa é motorista de El Rojo, tendo-se adaptado bastante bem à vida de fora da lei, trocando o espírito libertário de Robin dos Bosques pela implacabilidade do cartel; quanto a Diego, há muito que fritou a pipoca, julgando ser o próprio “justiceiro mascarado”, uma ilusão alimentada por um padre que lhe vai fazendo as vontades, como que mantendo em suspenso um luto que se recusa a ser feito.
Um pouco como D. Quixote, Diego acaba por tornar a sua loucura pública, exibindo-se a galope do Trovão para combater, com a sua espada, homens de armas em punho. A loucura de Diego acaba por contagiar a população, que começa a acreditar numa revolta contra o reinado de El Rojo, liderada por este lunático que parou no tempo.

Num álbum cheio de acção e atravessado por um humor lunático, Sean Murphy presta um valoroso tributo a um dos grandes heróis de capa e espada, conseguindo a proeza de o transportar para o presente de uma forma que está longe de ser forçada. Viva Zorro!











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