“Uma Paisagem, Uma Flor” (Akiara Books, 2025) é um admirável álbum ilustrado, que articula, com elegância, delicadeza e profundidade, a ligação entre o ser humano e o mundo natural, algo que a Akiara Books já nos habitou.
O livro começa com um texto que nos apresenta flores, esses seres “maravilhosos, enraizados na terra e voltados para o céu”. Introduz a temática combinando conhecimento científico e poesia, as suas diferentes geografias e tipologias, uma vez que as flores podem ser “sumptuosas, selvagens, exageradas…, mas também frágeis, singelas, efémeras”. Um livro que nos fala de 30 flores distintas, da sua vida e inteligência, da sua sensibilidade e beleza – afinal, as “flores falam-nos do que somos. As qualidades delas são também as nossas”. Um livro que elogia a diversidade ecológica e emocional, convidando cada leitor à aprendizagem, à contemplação e à escuta interior.
O texto de Inês Castel-Branco é breve mas denso, esclarecedor e emotivo – um texto belíssimo. Cada flor – flor de cerejeira, jarro, lírio-do-vale, narciso-trombeta, dente-de-leão, girassol, prótea-real, entre muitas outras – é acompanhada por um pequeno texto que, mais do que descrever, evoca sentimentos, geografias, reflexões e memórias, que vão muito além da botânica. A autora convida o leitor a ver cada flor como um símbolo: da resiliência, da gratidão, da luz, da espera.

Não deixa de ser curioso que muitos dos textos terminem colocando uma pergunta ao leitor. Cada um deles poderá ser lido individualmente ou mediado. Em cada um existe a possibilidade de ser lido de diferentes formas, por diferentes públicos – é extraordinário.
As belíssimas ilustrações de Neus Caamaño, de cores vibrantes, são essenciais à ampliação do significado e sentir do texto. As flores surgem integradas no seu eco-sistema — ora minúsculas no meio da vastidão, ora em primeiro plano —, reforçando a noção de que cada elemento da natureza tem o seu lugar e valor.
Mais um livro da editora Akiara Books que evidencia, de forma exemplar, a harmonia entre a estética e o texto, entre a atenção selectiva e a educação emocional, entre o valor da natureza e a ecologia interior. Cuidar da Natureza é cuidar de nós mesmos, e este é um livro maravilhoso para os amantes de flores, para leitores que apreciam a Natureza, para todos os seres humanos que gostam de um mundo repleto de cor e múltiplos cheiros.

Inês Castel-Branco diz de si própria: “Nasci em Lisboa em 1977 e vivi até aos 18 anos numa cidade do interior com um nome quase igual ao meu apelido: Castelo Branco. Em pequena, dizia que queria dedicar-me à música, à pintura e à arquitetura, mas também explorava a fotografia e escrevia poemas. Gostava de todas as artes! Aos 18 anos fui estudar Arquitetura para o Porto. A curiosidade levou-me a fazer Erasmus, e depois um mestrado e um doutoramento em Barcelona, cidade que nunca mais deixei. Em 2007 tornei-me editora, uma profissão que junta todas as artes que sempre me entusiasmaram. Em 2018, já com três filhos e tendo descoberto a magia dos álbuns ilustrados, fundei sozinha a Akiara Books. Quando tenho tempo, também ilustro ou escrevo os meus próprios livros, como Respira e A gota de água. Sou apaixonada por flores: desde a giesta e as papoilas da minha infância, até aos girassóis que me encantaram em Itália, ou o acónito que descobri enquanto caminhava pelos Pirenéus. Sei que a natureza fala connosco e nos ensina… se soubermos ouvi-la. Foi isso que quis transmitir com este livro.”.
Neus Caamaño diz-nos: “Nasci em 1984 numa aldeia muito pequenina da Catalunha chamada Terradelles. Partindo dali, ao caminhar para oeste, encontra-se o lago de Banholas e o seu monstro; e para leste, o Montgrí e as ilhas Medas. Como muitos meninos e meninas, uma das coisas de que mais gostava era desenhar. Ler, também. Continuam a ser duas das minhas paixões atuais que combino, sempre que posso, com passear pelas ruas de Sevilha, onde vivo. Cresci rodeada de lápis, papéis, tesouras, tintas, pincéis. A minha mãe ensinou-me grande parte das coisas que sei, e penso que talvez tenha sido ela a razão pela qual decidi matricular-me em Belas-Artes, em Barcelona, onde voltei a desenhar horas seguidas, quase sempre com carvão e tinta-da-china, que me deixavam as mãos pretas. Passados cinco anos descobri o mundo da ilustração, que me fascinou imediatamente. Do que mais gosto é do álbum ilustrado: pensar, procurar, experimentar ideias e imagens, recortar e colar, apagar e começar outra vez”.











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