Considerada uma das obras mais emblemáticas e visionárias da banda desenhada de ficção científica, The Ghost in the Shell, de Shirow Masamune, está de volta às livrarias nacionais, depois de uma primeira publicação pela editora JBC Portugal em 2018. A obra, considerada o exemplo maior do cyberpunk, inspirou um filme de animação que se tornou um verdadeiro clássico, e que capta de forma menos densa o misto de política, tecnologia e metafísica que este mangá abarca.

“The Ghost in the Shell – Livro 1” (Distrito Manga, 2025), o primeiro de três livros que reúnem a obra integral, chega em grande formato – um pouco abaixo do álbum de BD mas bem maior que o formato mangá tradicional -, num papel de boa gramagem envolto numa sempre de louvar edição em capa dura, juntando ao preto e branco diversas páginas coloridas, que chegam no início e final dos capítulos, apresentados em requintados separadores. As ilustrações são detalhadas, cheias mas perceptíveis nas suas muitas subtilezas, com uma boa arrumação das vinhetas. Pode, porém, ser um pouco difícil entrar de cabeça, pelo que, para não complicar ainda mais o mergulho, aconselhamos a não leitura das muitas e complexas notas de rodapé, que poderão ficar para uma segunda passagem.
A protagonista dá pelo nome de Major Motoko Kusanagi, uma andróide líder de um grupo de contra-terrorismo cibernético, contra-poder de um mundo dominado pelas grandes corporações e onde a corrupção é prática comum. O próprio governo está nas mãos dessas corporações, que se infiltraram em todas as áreas da sociedade, e não deixa de ser curioso que seja Motoko Kusanagi o rosto de uma liberdade alternativa e militante.

Somos apresentados a este mundo onde impera a manipulação de escândalos, políticos que puxam o tapete uns aos outros, lavagens cerebrais que começam em tenra idade, um hacker que está para lá da genialidade e uma questão filosófico-tecnológica que parece querer atravessar toda esta epopeia cyberpunk: “A ciência é incapaz de definir o que é uma vida”. Apesar de ser necessária uma árdua filtragem, este primeiro volume de The Ghost in the Shell merece bem uma leitura – vagarosa, atenta e a passar por cima das notas de rodapé.











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