“Aos que extinguiram, se perderam e caíram no esquecimento. Tudo o que surge está destruído”. Assim começa “Sapiens: A Origem da Humanidade” (Elsinore, 2022), o primeiro volume no formato de novela gráfica que adapta “Sapiens: História Breve da Humanidade”, condensando as ideias de Yuval Noahh Harari e apresentando esta obra fundamental sobre as origens e desenvolvimento do universo a novos leitores e curiosos. Uma adaptação na qual Yuval Noah Harari conta com a parceria do escritor David Vandermeulen e as ilustrações de Daniel Casanace.
Este volume primeiro recua cem mil anos no tempo, altura em que caminhavam pela Terra pelo menos seis espécies diferentes de humanos. Nos dias de hoje existe apenas uma, o Homo sapiens, por isso a pergunta que se coloca é esta: O que aconteceu aos outros? E, se quisermos embarcar numa onda existencialista, o que nos acontecerá a todos nós?

Em jeito de lançamento, lançam-se as bases em que sustenta a fundação humana: “os seres humanos são animais, e tudo o que aconteceu na História obedeceu às leis da Física, da Química e da Biologia”. Mas não pensem que o Homo Sapiens, depois de atirar com os outros Sapiens às urtigas, sai de cena com a coroa na cabeça, vendo-se seguido por uma nuvem negra que tem atravessado os séculos: “O Sapiens parece-se mais com um ditador de pacotilha sempre com medo de perder o poder”.
Sempre com muito humor, “Sapiens: A Origem da Humanidade” leva-nos ao primeiro encontro entre sapiens e neandertais, à extinção dos mamutes e dos tigres dentes-de-sabre, ou a conhecer a cooperação humana, a competência comunicativa, o poder da ficção, a importância da cusquice, as estruturas familiares e tantas outras descobertas e características que fizeram do Sapiens o auto-proclamado rei do planeta, mesmo que para isso tenha tido de terraplanar existências várias.

O humor estende-se a pormenores deliciosos como o Bill Pré-Histórico, banda desenhada que vai surgido a espaços, ou com a transformação da Evolução num programa televisivo hilariante, a que não faltam os anúncios publicitários.
O jogo de cores é incrível e, quanto às vinhetas, são bem arrumadas e com o número certo de elementos, permitindo uma leitura fluida e compulsiva, resultando num verdadeiro page turner em modo de novela gráfica. O segundo e terceiro volumes estão já disponíveis nas livrarias.











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