Em “Sábado” (Fábula, 2022), Oge Mora oferece aos leitores uma história simples e profundamente humana, onde o quotidiano se transforma em poesia visual e emocional. Trata-se de um álbum ilustrado que celebra o amor entre mãe e filha, a força dos laços que sustentam os dias mesmo quando tudo parece sair errado.
“Esta manhã, a Eva e a mãe estavam muito sorridentes. Era Sábado!”. A narrativa acompanha o “dia especial” que mãe e filha reservam para si – o sábado -, o único momento em que o tempo desacelera e as duas podem estar juntas para darem um salto à biblioteca, irem ao cabeleireiro, assistirem a um espectáculo ou fazerem um piquenique.

“A Eva e a mãe mal podiam esperar”. Contudo, nem sempre o planeado corria conforme o desejado. O dia tão esperado é sucessivamente interrompido por imprevistos — o autocarro perdido, o cabeleireiro fechado, o espectáculo cancelado. A cada contratempo, Oge Mora conduz o leitor com uma delicadeza rara pela frustração e a esperança, mostrando que, no fim, o verdadeiro significado do sábado não reside nas actividades planeadas, mas na presença e cumplicidade partilhadas.
As ilustrações de Oge Mora são maravilhosas. O autor recorre a papéis coloridos recortados, pinceladas de cor e padrões vibrantes que parecem dançar nas páginas, dando vida aos planos de Eva e sua mãe. Cada colagem é uma celebração da textura e da diversidade, reflectindo a própria complexidade da vida. A artista domina o equilíbrio entre o detalhe e o espaço em branco, permitindo que o olhar do leitor respire entre a emoção e o silêncio. A harmonia entre texto e imagem é exemplar: as palavras de Mora são curtas e cadenciadas, quase musicais, encontrando eco nos ritmos visuais da colagem. As guardas, iniciais e finais, marcam o ritmo, introduzindo o tema e ajudando a planificar os próximos sábados. Será que valerá a pena?

Em “Sábado” celebra-se a diversidade, o amor, a decepção, o riso, a partilha, a descoberta de que o valor de um momento está nas pessoas e na forma como estas se relacionam e resolvem os seus contratempos. Afinal, os dias imperfeitos podem ser os mais valiosos e, às vezes, não cumprir os planos e aceitar o inesperado pode ser uma grande surpresa.
Um livro de rara sensibilidade, estética e emocional. Um verdadeiro hino à afectividade, à resiliência e à arte de transformar o quotidiano em beleza. Um excelente livro para ler em família.











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