Num momento em que a fantasia pareceu eleger, como mínimo, o formato trilogia, Rebecca Ross decidiu despachar a coisa num díptico, iniciado em “Rivais Divinos” (ler crítica) e concluído neste “Promessas Cruéis” (Secret Society, 2024).
A acção decorre 15 dias após a conclusão do anterior volume, com Roman desaparecido e a cidade de Oath imersa num estado de descrença e ignorância, com a liberdade de imprensa suprimida e os instrumentos de corda confiscados. Uma cidade comandada por um Chanceler que é, na verdade, um joguete de Dacre – o deus que, depois de um sono de 234 anos sob o espírito do Valium, decidiu vingar-se de Enva, a deusa que lhe partiu o coração.

Roman foi salvo por Dacre e é agora um dos seus comandados, ameaçado pela perda da memória que, estranhamente, parece não desaparecer por completo. Em lados opostos da guerra, Roman e Iris continuam a escrever duas versões de uma mesma guerra, num cenário onde reina a desinformação, o engano e o medo, pondo à prova o carácter e a ética de cada um.
Uma fantasia romântica e fofinha para jovens (mesmo jovens) que, por entre um conflito entre deuses que dura há uma eternidade – ficou muito por explorar, quem sabe se não haverá aqui matéria para um livro futuro – e uma relação amorosa entre pessoas de classes distintas, tece um elogio à palavra, à escrita e à leitura.











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