A Iguana continua a celebrar a preceito o aniversário dos 75 anos de Peanuts, esse universo mágico criado por Charles M. Schulz (1922-2000), habitado pelo angustiado Charlie Brown, o romântico Snoopy, o sempre focado no piano Schroeder, Linus e o seu inseparável cobertor ou a auto-centrada Lucy, com explosões de raiva capazes de abanar qualquer tímpano.

“Pobre Charlie Brown” (Iguana, 2025) coloca as atenções em Charlie Brown, sonhador incansável e eterno optimista, mesmo quando tudo parece correr mal – o que acontece quase sempre. É dele que chegam habitualmente sinais de charme desajeitado, mas sobretudo reflexões sobre a vida capazes de ombrear com os maiores e reais filósofos.
Neste volume, na ausência de amigos ouvintes, Charlie Brown vai desfiando as suas preocupações e reflexões sobre a vida com um amigo por correspondência, esquecendo-se de que para ter retorno precisa de juntar um selo às cartas. O seu pouco jeito para o baseball ou para lançar papagaios de papel é evidente, mas serve de alimento a uma filosofia da existência: “Chove sempre sobre os mal-amados”.

Mas nem só de Charlie Brown se faz este volume: Lucy anda às aranhas com a patinagem artística, incapaz de distinguir entre Beethoven e George Washington – “Nunca fui capaz de distinguir um compositor de outro!” – mas mostrando perícia no desenho de listas com defeitos de cada um; Snoopy está cada vez melhor na sua imitação de abutre – ou de águia-de-cabeça-branca -, recordando com saudades os tempos de cachorrinho; Shroeder continua, por entre o incessante martelar das teclas, a professar o seu amor eterno por Beethoven – “Será que o Beethoven teria gostado de mim?”; Linus tenta aprender a vestir-se melhor, e parece já ter decidido o que quer ser quando for grande: um fanático de olhos esbugalhados.
Uma janela aberta para o universo de Peanuts, que recentemente viu chegar às livrarias mais uma obra imperdível, de que falaremos aqui mais tarde: “O Indispensável do Snoopy”.











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