Com texto de Assia Petricelli e ilustrações de Sergio Riccardi, “Para Sempre” (Fábula, 2025) é uma novela gráfica sobre o amadurecimento e a transição para a vida adulta – ou, posto no belo do inglês, uma história coming of age.
A protagonista dá pelo nome de Viola, uma estudante de literatura clássica que, este ano, se mostra entusiasmada com a ida para férias em família. Depois de 15 anos “na quinta do costume, a apenas 20 km do mar, com as vacas simpatiquíssimas, os coelhos ternurentos e a lagoa dos gansos”, irá finalmente passar umas férias “no fantástico aldeamento turístico de Punta del Sole”, no sul, onde está também um rapaz que mantém debaixo de olho. O overbooking, porém, não acontece apenas nos aviões, e Viola dará por si num acanhado apartamento no centro, longe da praia e dos amigos.
Quando tudo parecia caminhar para umas férias tediosas, Viola conhece Ireneo, um rapaz local que está a arranjar um barco, e que a fará viver o seu Verão Azul, só que sem aquela parte trágica da série televisiva.

Para além de uma história sobre a destruição trazida pelo turismo de massas, a auto-descoberta, o amor verdadeiro ou as preocupações femininas vividas entre pêlos e pensos, “Para Sempre” aborda o tema das relações abusivas, feitas de posse e controle, mostrando que a sua normalização não será nunca o caminho.
As ilustrações de Sergio Riccardi são um mimo, começando desde logo pelas 3 páginas iniciais, onde ao estilo de um diário gráfico e adolescente nos introduz a personagem de Viola. Ilustrações que se deixam transportar por um ambiente cinéfilo, entre vinhetas que são frames em movimento, captando as emoções humanas e o espaço físico onde estas se desenrolam.











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