Os Swifts estão de volta! Lembram-se da família dos Swifts? Do velho calhamaço? Do dicionário que era levado ao quarto, pousado na cama e aberto ao calhas para escolher o nome dos novos elementos da família? Recordam-se de Tropelia? A jovem dramática, vaidosa e performativa que gosta de discursos elaborados, de se fazer notar e de ocupar espaço — não tanto pela substância do que diz, mas pela forma como o diz. Tropelia recorda o leitor que nem todas as palavras bonitas dizem algo verdadeiro, que podem ser usadas para disfarçar, em vez de esclarecer. Os Swifts regressam agora com novas aventuras, segredos por desvendar e muitas traquinices.

Em “Os Swifts – Uma Galeria de Patifes” (Nuvem de Letras, 2024), Tropelia Swift vai-se esquivando “às perguntas da Família sobre o que fazia no lago. Dizia-lhe que estava a treinar para ser escapista, o que era meia verdade”. Afinal, o que andará a Tropelia a fazer? Estará sozinha ou com alguém da família?
A narrativa desenrola-se a partir de uma excêntrica reunião familiar, convocada para a antiga casa senhorial que funciona quase como um museu vivo da linhagem familiar. Os Swifts orgulham-se da sua história, das suas tradições e, sobretudo, dos seus nomes. A casa de família, quase claustrofóbica, com os seus corredores, salas cheias de retratos, objectos herdados e quadros preciosos, guarda muitas histórias de família. Imaginem que um desses quadros valiosos é roubado da casa dos Swifts, por um excêntrico grupo de ladrões de arte. Tropelia decide reavê-lo custe o que custar, mesmo que isso signifique perseguir os assaltantes até Paris. Conseguirá?

Beth Lincoln demonstra uma notável consciência do poder das palavras. A história convida o leitor a reparar nos nomes, a questioná-los, a desconfiar deles. O texto é irónico e, algumas vezes, mordaz. As ilustrações de Claire Powell ampliam o significado do texto, dando-lhes vida e maior visibilidade, imprimindo ritmo à narrativa, com o traço das ilustrações a reforçar o carácter excêntrico da família Swift. Uma leitura divertida para jovens leitores, desafiando-os a pensar e a reconhecer que a verdade nem sempre é óbvia.











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