Em tempos onde as sagas de fantasia andam da trilogia para cima, Holly Black decidiu brindar-nos com uma duologia, iniciada com “O Herdeiro Roubado” (ler crítica) e concluída neste “O Trono do Prisioneiro” (Secret Society, 2025). Porém, se partirmos do facto de que estes livros são um regresso ao universo de Elfhame, o qual já deu frutos com uma trilogia primeira – “O Príncipe Cruel”, “O Rei Perverso” e “A Rainha do Nada”, uma história solta – “Como o Rei de Elfhame Aprendeu a Odiar Histórias” – e uma mais recente trilogia – “A Fada das Trevas”, “As Fadas Sob a Cidade” e “O Reino de Ferro” -, é caso para dizer que Elfhame é um dos lugares literários mais visitados do mundo fantástico.
Em “O Herdeiro Roubado”, livro que esteve ao nível da trilogia primeira, conhecemos Susan (ou Wren), a rainha da Corte dos Dentes, que poderia bem ser a neta perdida de Darth Vader. Um livro que decorreu quase sempre numa floresta sombria, conduzindo a um final negro que abriu o apetite para esta conclusão, que nos traz tudo aquilo que uma Corte deve ter: traições, amor, ciúme, intrigas, maquinações e crimes.

No centro da trama está o príncipe Oak, alguém que, apesar de sempre ter vivido por detrás de uma fachada de bon vivant, alheio a qualquer ambição, está agora no centro de uma trama do tamanho de Elfhame, tentando evitar uma guerra que envolve Jude, a sua irmã e Rainha Altíssima, e Wren, a Rainha do Norte pela qual desenvolveu uma tara romântica. Ou, ainda, enfrentando a desconfiança de Cardan, o seu tio, ou as maquinações de Bogdana, a sua mãe biológica. Além disso, se algo acontecer a Jude ou a Cardan, será ele o herdeiro natural do reino, uma possibilidade que começa agora a causar-lhe calafrios.
Apesar de ficar alguns tons de negro abaixo do volume primeiro, “O Trono do Prisioneiro” tem subidas e descidas suficientes para fazer da sua leitura uma montanha russa, seja quando nos fala sobre o incrível nascimento de Oak ou quando ouvimos, suspensos, o bater do coração de Mellith. Se andam à procura de um destino turístico para as próximas férias, marquem já a passagem de ida para Elfhame.











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