“O Feiticeiro de Oz” (Fábula, 2025) é um conhecido clássico da literatura juvenil, agora reeditado pela editora Fábula e integrado na colecção Tesouros da Literatura. O texto de L. Frank Baum ganha uma nova actualidade, reforçada pelo excelente prefácio de Carla Maia de Almeida, que contextualiza a obra histórica e culturalmente.
Destacando a sua actualidade simbólica e emocional, a prefaciadora recorda-nos que “há mais de um século que o universo de O Feiticeiro de Oz continua a provocar a nossa imaginação, e é difícil senão mesmo impossível, contar todas as adaptações que já se fizeram para cinema, teatro, musicais, séries de televisão, desenhos animados e videojogos, sem contar com outros livros que deram novas vidas às suas personagens. Só isso seria suficiente para demonstrar como esta história é tão rica quanto universal, com aquele toque mágico que só os contos de fadas sabem dar”.
Esta é a história de Dorothy, que “vivia no meio das grandes pradarias do Kansas com o seu tio Henry, que era agricultor, e com a tia Em a mulher dele. A casa era pequena, porque a madeira para a construir viera de longe e fora transportada de carroça por muitos quilómetros”. Um dia, um ciclone chegou de surpresa e aconteceu uma coisa estranha: “a casa rodopiou duas ou três vezes e ascendeu lentamente no ar. Dorothy sentiu-se como se estivesse a subir num balão”.

Para onde iria a casa? Passado algum tempo, Dorothy constatou que a casa tinha pousado num país de uma beleza estonteante – a fantástica Terra de Oz. Acompanhada pelo seu cão Toto, Dorothy, encontra neste novo país uns seres extraordinários, travando amizade com três personagens inesquecíveis – o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Cobarde -, com eles embarcando numa viagem pela misteriosa estrada de tijolos amarelos até à Cidade das Esmeraldas, onde esperam encontrar o enigmático Feiticeiro que pode realizar os seus maiores desejos.
O Feiticeiro é uma personagem muito curiosa, induzindo o leitor a uma crítica, ainda que implícita, à autoridade e à aparência do poder, revelando que o medo e a submissão resultam muitas vezes de ilusões cuidadosamente construídas. Ao longo da caminhada, descobrem virtudes como a bondade, a coragem e a inteligência.
A viagem de Dorothy da planície cinzenta do Kansas para o mundo colorido de Oz não é apenas uma deslocação geográfica, mas sobretudo uma travessia simbólica do desconhecido, possibilitando ao leitor uma reflexão sobre a ética, a autonomia, identidade e o auto-conhecimento. Um belíssimo texto intemporal que interpela os leitores, de diferentes idades, sobre quem somos, o que procuramos e o que já trazemos connosco. Uma leitura a não perder.











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