Assinado pela dupla Fabien Tillon (argumento) e Fréwé (desenhos), “O Ditador e o Dragão de Musgo” (Asa, 2025) é uma homenagem ao cinema asiático dos anos 70, uma história com tons de delírio que, vai-se a ver, parte de acontecimentos verdadeiros.

Estamos em 1978, na fervilhante cidade de Hong-Kong, acompanhando os passos da estrela Shin Sang-Ok, realizador e produtor sul-coreano – “um tipo audacioso com a câmara” -, em busca da sua mulher, a actriz Choi Eun-hee, desaparecida há várias semanas.
Nessa busca de reconhecimento, Shin Sang-Ok e Choi Eun-hee acabam por ser levados – uma forma meiga de dizer raptados – para a Coreia do Norte, encarregues de, em nome da ditadura, realizar filmes que marquem a história do cinema de Pyongyang e de um Estado que, segundo o seu Grande Líder, “é o único a levar em linha de conta a integralidade da miséria filosófica do ser”, com o desígnio de “proteger o cidadão, não apenas da brutalidade capitalista do mundo, dos predadores, dos abusadores, mas também de si próprio, da demonologia pessoal. Da realidade”.

Aproveitando uma narrativa com o embalo de um thriller, Fréwé utiliza as cores como se fosse ele o realizador deste filme convertido em álbum, seja como nos conduz a um bar com um aquário de polvos, ou na forma como nos serve os separadores de cada um dos capítulos, sempre em páginas duplas, que dariam fabulosos quadros para se pendurar em casa.
Um livro que nos mostra os movimentos de lavagem cerebral perpetrados por uma Ditadura, através de um cinema de encomenda que funcionava como uma realidade alternativa, um universo paralelo que existia unicamente em película.











Sem Comentários