Com “O Dia em que a Lua e a Terra se Zangaram” (Nuvem de Letras, 2024), David Duff estreia-se na literatura infantil com uma história que concilia humor, ternura e criatividade.
Imaginem isto: a “Lua e a Terra tiveram uma discussão e zangaram-se. Tanto uma como outra disseram coisas que não queriam ter dito”, mas já estava. A zanga foi tão forte que a Lua decidiu-se afastar “depois de ter passado 4,5 mil milhões de anos com a Terra”. A decisão estava tomada. A Lua partiu sem rumo definido, desejando “que seja Verão todos os dias”. Seria tal possível?

O leitor é convidado a acompanhar a viagem da Lua, que começou por pensar que o recomeço seria fácil. Conheceu Vénus, um pouco mais quente que a Terra, mas o convívio foi curto; um pouco mais à frente conheceu Mercúrio, veloz demais para o seu gosto; travou conversa com Júpiter, que a convidou para ser a sua 96.ª lua, mas não estava fácil encontrar um novo lugar para viver. Encontrou ainda mais planetas do sistema solar, mas uns eram muitos quentes, outros muito frios ou ainda demasiado rápidos. Na imensidão do sistema solar, avistou a Terra. Seria possível que a Terra fosse a sua melhor companhia? E aceitaria esta um pedido de desculpas?

Um texto simples e linear, informativo, ficcional e metafórico, onde a amizade, as diferenças e a importância da reconciliação poderão ser bons pontos de partida para um diálogo. Acessível e ritmado, convida à leitura em voz alta, enquanto as ilustrações de Noemi Vola acrescentam expressividade, cor, movimento e um tom divertido, tornando cada página visualmente apelativa. As guardas, iniciais e finais, apresentam de forma expressiva e criativa as personagens da narrativa. Um livro divertido, empático e bem-disposto.
David Duff vive em Londres e é copywriter e criador de publicidade. Este é o seu primeiro livro. Noemi Vola é uma premiada autora e ilustradora italiana de livros infantis. A tradução é de Francisca Cortesão.











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