Está fechado o programa de festas do Babell, o novo festival literário que tem como desígnio transformar o centro histórico do Porto numa cidade-livro. Entre os dias 24 e 29 de Junho, o Babell apresentará sessões literárias, concertos, exposições, poesia nas ruas e programação para os mais novos.
O Babell arranca a 24 de junho – dia de São João – em Leça do Balio, no Mosteiro onde está sediada a Fundação Livraria Lello. Este dia ficará marcado pela inauguração do Jardim do Pensamento, um espaço de quatro hectares projectado por Álvaro Siza Vieira em colaboração com o arquitecto paisagista Sidónio Pardal, lugar onde Byung-Chul Han dará primeira conferência do festival. No mesmo dia, já no Teatro Rivoli, o argentino Alberto Manguel falará sobre a história do livro e da palavra escrita, na conferência “Leitura e Resistência”.
Promovido pela Fundação Livraria Lello, em co-produção com a Câmara Municipal do Porto, o Babell tem como comissário por Rui Couceiro. “Acho que o Porto pode estar orgulhoso porque o Babell tem o melhor cartaz de um evento literário a nível internacional em 2026”, comentou na sessão de apresentação que decorreu no dia 31 de Março.

László Krasznahorkai, o húngaro premiado com o Nobel da Literatura em 2025, é um dos grandes destaques, a par da canadiana Margaret Atwood, do britânico Salman Rushdie e da polaca Olga Tokarczuk, Nobel em 2018. Completam o cartaz internacional o argentino Alberto Manguel, os espanhóis Javier Cercas e David Uclés, o britânico Julian Barnes, os brasileiros Conceição Evaristo, Milton Hatoum e Rafael Gallo, e o colombiano Héctor Abad Faciolince.
Lídia Jorge e Gonçalo M. Tavares partilham o palco no dia 29, numa sessão moderada por Francisco Sena Santos com leituras de actores do Teatro Nacional São João (TNSJ). Nesse mesmo dia, acolhe-se o único lançamento de livro do festival: Valter Hugo Mãe apresenta nova obra na Praça Gomes Teixeira, com apresentação de Héctor Abad Faciolince. Também confirmados estão Bruno Vieira Amaral, Dulce Maria Cardoso, Djaimilia Pereira de Almeida, Ana Paula Tavares, João de Melo e Isabel Rio Novo.
O modelo de acesso ao festival é a grande inovação do Babell, uma vez que não existem bilhetes à venda. Para entrar em qualquer sessão, será necessário comprar um livro numa das mais de 50 livrarias aderentes do Porto. Posteriormente, o comprador receberá uma senha com um código, que permitirá reservar um lugar no site oficial. E, no dia de cada sessão, é obrigatório apresentar-se com o livro na mão. “Sem livro na mão, não se entra numa sessão do Babell”, garantiu Rui Couceiro.
As reservas para as sessões literárias abrem a 7 de Abril. As restantes sessões, incluindo concertos, colóquios e aulas de história, ficam disponíveis a partir de 23 de abril, no Dia Mundial do Livro. A rede de livrarias aderentes foi organizada pelo Bairro dos Livros e inclui livrarias centenárias, alfarrabistas e projectos recentes.

Nas manhãs de 27 e 28 de Junho (sábado e domingo), os Jardins do Palácio de Cristal transformam-se num espaço de literatura para famílias, com curadoria de Adélia Carvalho. Estão previstas experiências, oficinas de conto e narração oral, com a participação de mediadores das bibliotecas municipais e da equipa do Projeto Porto de Palavras. A 29 de Junho, realiza-se um colóquio sobre educação e leitura no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Na iniciativa “A Poesia está na Rua”, com curadoria de Rui Spranger, a poesia também ocupa o espaço público, com intervenções simultâneas nas ruas de Santa Catarina, Flores, Carmelitas e Cedofeita.
Já na iniciativa “A Poesia ao Poder”, a 28 de Junho, poetas portuenses lêem da varanda dos Paços do Concelho.
Quanto ao ciclo “O Porto em 90 Minutos”, propõe quatro aulas de história da cidade, ministradas por Nuno Resende, Nuno Valentim, Sofia Lourenço e Isabel Pires de Lima.

O programa estende-se à música, com um concerto inédito de GNR e Pedro Abrunhosa a 25 de Junho, na Avenida dos Aliados. Os dois artistas irão partilhar o palco pela primeira vez, e vão apresentar uma canção nova composta especialmente para o Babell.
O Cinema Batalha integra também o programa. Na quinta-feira (25) será exibido “Retrato de um Certo Oriente”, adaptado de uma obra de Milton Hatoum. No sábado (27) é a vez da adaptação de “A História de uma Serva”, de Margaret Atwood, enquanto que a 28 teremos “Rastros”, a partir da obra de Olga Tokarczuk.
No dia 27, o artista chinês Cai Guo-Qiang realiza uma performance que pretende unir as duas margens do Douro. O criador é conhecido pelo projecto Sky Ladder e, também, pelas cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Já no último dia do evento (29), o escritor e cronista Luís Osório apresenta, na Torre dos Clérigos, o monólogo “Aparição”. O projecto vai ser criado de raiz para o festival e tem por base histórias desconhecidas de escritores portugueses e internacionais.

As sessões estão a curta distância a pé umas das outras, num conceito inspirado na ideia da “Cidade de 15 minutos”, do académico Carlos Moreno. Entre os espaços, fazem parte a Livraria Lello, o Museu Nacional Soares dos Reis, o Centro Português de Fotografia, o Teatro Rivoli, os Jardins do Palácio de Cristal, a Avenida dos Aliados e a Praça Gomes Teixeira. Além desses espaços emblemáticos, a poesia vai andar nas ruas de Santa Catarina, Flores, Carmelitas e Cedofeita.
O Babell coincide com o 25.º aniversário do Porto 2001, Capital Europeia da Cultura, e com os 30 anos da classificação do Centro Histórico como Património Mundial pela UNESCO.
Créditos das imagens: A Raposa Branca/ Babell











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