Não se deixem enganar pelo número 42 mostrado na lombada do livro. “Lucky Luke: A Mina de Ouro de Dick Digger” (Asa, 2024), um original do ano de 1949, é a primeira aventura do cowboy fumante que dispara mais rápido que a sua própria sombra, que depois de várias décadas de espera chega finalmente às livrarias em edição portuguesa pela Asa.
Basta atentar na capa para ver que Morris (Maurice de Bévere no Cartão de Cidadão) ainda está a afinar o seu traço, mostrando-nos um Lucky Luke com ar cinquentão – pelo menos – a quem não ficaria mal um jejum intermitente. Só seis anos mais tarde René Goscinny (co-criador de Astérix) se juntaria a Morris como argumentista, o que viria a permitir a Morris dedicar-se em pleno a apurar o traço de Luke, Jolly Jumper e companhia.

Num cenário a fazer lembrar o ritmo desenfreado, a explosão de cor e o humor físico dos Looney Tunes, conhecemos Dick Digger, um velho garimpeiro e amigo de Luke, que parece ter finalmente descoberto um filão de ouro numa mina nas West Hills. Por entre a devida celebração alcoólica, festa na qual Luke marca presença, decide anunciar a sua descoberta ao mundo, despertando a inveja e a cobiça alheias. Luke decide acompanhá-lo no momento de registar a concessão mas, antes disso, Dick acaba por ficar sem o ouro e o mapa da mina, recebendo um galo de Barcelos na cabeça.
Cabe a Lucky Luke, que por esta altura está longe de ter um QI acima da média, a missão de recuperar o mapa e livrar-se dos dois malfeitores, devolvendo o saque ao amigo que vai recuperando a sanidade mental enquanto cura uma valente ressaca. Jolly Jumper ainda não é um cavalo falante, e estamos longe ainda do tempo em que Morris trocou o cigarro de Luke por uma comprometedora palhinha, acontecimento que tem sido bem explorado nas novas séries de homenagem e reinvenção deste herói do oeste.

Há ainda uma segunda aventura neste álbum, na qual Luke se vê confundido com Mad Jim, um ladrão de bancos e perigoso assassino. Apesar de se encontrar preso, é ajudado a escapar da prisão por outros malfeitores, que querem substituir Jim por Luke na cadeia, para que o ladrão divida com eles o dinheiro roubado.
É também aqui que surge um duelo de desfecho trágico – não visto mas pressentido -, naquela que será a única morte registada em todas as aventuras de Lucky Luke. Ainda não encontramos o célebre e inesquecível pôr do sol no encerramento, e Luke é por esta altura mais sortudo que ágil no gatilho, mas este é sem dúvida um álbum histórico que qualquer coleccionador de banda desenhada deve ter nas suas estantes.











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