Escrita e desenhada por Vittorio Giardino, Jonas Fink é uma obra desenvolvida em 3 tomos que, em Portugal, foi publicada em dois volumes de grande formato pela Arte de Autor, editora que nos tem prendado com algumas obras de banda desenhada de excelência.
“Jonas Fink – Inimigo do Povo” (Arte de Autor, 2024) reúne os primeiros dois tomos – A Infância e A Aprendizagem -, começando por nos oferecer um extenso prefácio de Giardino acompanhado de algumas das suas ilustrações, que nos ajudam a situar nesta história sobre a opressão do povo Checoslovaco sob o jugo do bloco soviético da década de 1950, que se seguiu ao final da Segunda Guerra Mundial.

A Infância – que levou para casa o prémio de melhor álbum no festival de Angoulême em 1995 – recua a Outubro de 1950. Com o pai preso, acusado de actividades contra-revolucionárias e de espionagem, Jonas Fink vê-se impedido pela Comissão de frequentar a escola. Segundo as novas orientações, “o critério a adoptar deve ser político. Estamos em vias de estabelecer um mundo novo, sem classes. Justo é tudo aquilo que serve essa finalidade! (…) Na escola não há lugar para os filhos da burguesia reaccionária”. Com 11 anos de idade, Fink é obrigado a saltar a infância, mergulhando na busca de um trabalho para se sustentar a ele próprio e à sua mãe, numa sociedade dominada pelas perseguições, a opressão e o silenciamento.

Em A Aprendizagem, Fink consegue um trabalho de sonho numa livraria, até ser obrigado a espiar o dono da livraria, instado a reportar qualquer actividade subversiva o que o leva a viver um conflito ético interno. À volta de Fink sucedem-se as condenações à morte, mas também os sinais de que um primeiro amor poderá estar a caminho.
Para além da denúncia do sistema totalitário do antigo bloco de Leste, Vittorio Giardino oferece uma história de resiliência, na qual o espírito humano trata de ir fintando a adversidade mantendo vivas a ética e a integridade. A história ficará concluída com “Jonas Fink – O Livreiro de Praga”, já disponível nas livrarias.











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