Depois da publicação de “O Grande Panda e o Pequeno Dragão” (ler crítica), “A Viagem” e “A Viagem do Gato Zen”, a Penguin prosseguiu a publicação dos livros de James Norbury com o lançamento de “Guiados pela Lua” (Iguana, 2024), em mais uma apetecível edição de capa dura com folhas cozidas com esmero.

No posfácio de “O Grande Panda e o Pequeno Dragão”, James Norbury recordou a fase complicada por que passou, bem como a mudança que operou em si depois de encontrar, num alfarrabista, um livro sobre o Budismo, que o fez interessar-se mais sobre espiritualidade e meditação. “Guiados pela Lua” prossegue na mesma linha espiritual dos volumes anteriores, oferecendo aos mais novos tiradas bem ao estilo de um Paulo Coelho desenhador. Tiradas como “os dons dos outros podem ser exactamente aquilo de que precisamos para que os nossos se possam revelar” ou, ainda, “graças ao facto de tudo ser efémero, nada é impossível”.

Desta vez viajamos até às profundezas de uma floresta sombria, onde uma cadelinha vagueia perdida e assustada. Quando encontra um velho lobo, que “exibia as cicatrizes de uma vida inteira” e a salva do ataque de uma alcateia, este decide embarcar com ela numa busca quimérica: seguir a Lua. Uma viagem que, a certa altura, parece ter o mesmo embalo de “A Estrada” de McCarthy, destinada a terminar num verso triste. Um livro que, só pelos desenhos e o seu ar de caderno de esboços, merece um desfolhar atento.











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