É sabido que, para os elefantes, a memória é vital, guardando locais onde existem água, caminhos seguros para seguir em manada, rotas de imigração ou vastas áreas onde poderão encontrar comida – informações que poderão permanecer guardadas durante anos. Talvez por isso seja recorrente, quando queremos mencionar que alguém é dotado de uma memória excepcional, escutarmos a expressão “Memória de Elefante”,
“Edmundo, o Elefante Esquecido” (Nuvem de Letras, 2024) conta-nos a divertidíssima história de Edmundo, o elefante que se esquecia de muitas coisas (e muitas vezes). Um dia, a mãe pede-lhe para ir “buscar algumas coisas para a festa de aniversário do seu irmão”. Edmundo ficou ansioso e temeu não ser capaz de reter a lista das compras. Conseguirá satisfazer o pedido da mãe? Será que lhe foi mesmo pedido um bando de guaxinins mascarados? E os tucanos, fariam parte da lista? Ou será que a mãe lhe tinha pedido uma macaca acrobata?
A narrativa, cumulativa, hiperbólica, ritmada e repetitiva, oscila entre a surpresa e o cómico, tornando-se eficaz para soltar umas belas gargalhas à medida que se acompanha o Edmundo nas compras e no regresso a casa, mostrando que não somos perfeitos, que todos falhamos e nos esquecemos de algum detalhe.

A paleta diversificada de cores dá vivacidade às personagens, favorecendo o lúdico e despertando laços empáticos. A harmonia entre o texto e a ilustração é excelente, enquanto o texto apresenta ritmo, repetição e surpresa. As ilustrações tomam o espaço visual para observar, imaginar, rir, contar e descobrir, havendo ainda espaço para o leitor se identificar com o simpático Edmundo e reconhecer que o esquecimento acontece, faz parte da vida. Em vários momentos da narrativa, o leitor é convidado a interiorizar os seus próprios esquecimentos e vulnerabilidades, aceitando-as ou encontrando formas de superá-las – rir de si próprio poderá ser uma excelente estratégia.
As guardas iniciais e finais apresentam as diferentes personagens que habitam nas páginas do livro, constituindo um momento singular e extraordinário para as explorar, dialogando, contando o número de vezes que as personagens surgem antes do início da leitura.
Kate Dalgleish estudou na Universidade de Sunderland e é professora do ensino primário. Este é o seu livro ilustrado de estreia, que foi seleccionado para o Stratford-Salariya Picture Book Prize em 2019.
Isobel Lundie licenciou-se na Universidade de Kingston, em 2015, onde estudou Ilustração e Animação. Trabalha como ilustradora.











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