Foi, no que toca à Poesia, uma das edições mais celebradas de 2025: o lançamento de “Edgar Allan Poe: Obra Poética Completa” (Tinta da China, 2025), obra publicada primeiramente na comemoração dos duzentos anos do seu nascimento, que chega agora às livrarias nacionais num novo formato.
Uma edição crítica, com tradução, notas e introdução de Margarida Vale de Gato – praticamente uma tese de doutoramento -, a que se juntam as excelsas ilustrações de Filipe Abranches, que parece ter sido companheiro de copos de Poe, tal não é a forma como os seus desenhos se entrelaçam com os versos vertidos por este sonhador.

Poe, alguém que “tem do mundo a visão de um homem com os sentidos perturbados, em ebulição”, leva-nos numa viagem entre o sonho e a realidade, em poemas onde a imaginação ganha o estatuto da qualidade humana suprema, distinta do coração e das “paixões terrenas e sensuais”. Porém, esta aparente e declarada guerra contra aquilo que é emoção, “não logra silenciar o coração que esta dilacera”, e é de um coração dilacerado este que estes poemas nos chegam.
A introdução de Margarida Vale de Gato – de onde são retiradas as citações anteriores – não deve ser suficiente para amedrontar o leitor, que poderá partir directamente para os poemas. Um pouco como, recorrendo à auto-medicação, se engolem os comprimidos sem o recurso à bula médica.











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