É uma boa surpresa que chega às livrarias com o selo Distrito Manga, apontada para jovens maiores de 12. No habitual formato mangá, mas que apresenta desenhos e balões de texto de fácil leitura, a série Edens Zero – escrita e ilustrada por Hiro Mashima – move-se pelo universo da ficção científica, sempre com muito humor, nonsense e imaginação pelo meio.
“Edens Zero 1” (Distrito Manga, 2024) dá-nos a conhecer Shiki Granbell, um jovem que em tenra idade se vê enganado, recebendo contudo um conselho que lhe será válido para a vida futura: “Visita vários lugares, conhece o máximo número de pessoas e faz montes de amigos”. Shiki vive no Reino de Sonhos, um parque de diversões abandonado e habitados por bots, que ele julga serem criaturas semelhantes a si próprio.

A sua vida irá mudar quando Rebecca, uma criadora de conteúdos com um canal muito perto de chegar ao milhão de subscritores, desembarca – na companhia de um gato azul chamdo Happy – no planeta de Shiki, naquele que será o primeiro contacto dos habitantes deste Reino com o exterior num século inteiro.
Shiki foi trazido para Granbell há dez anos pelo Rei Demónio, cabendo-lhe tratar do arranjo das máquinas, não tendo conhecido um outro destino para além deste. A chegada de Rebecca vai ao encontro dos desejos do Governador, que diz querer vingar-se dos humanos, matar a rapariga e partir “para podermos alcançar o mundo lá fora”, mas há aqui muita coisa dita da boca para fora, apenas para estimular Shiki a usar o Ether Gear, uma capacidade de reorganizar o fluxo de ether do corpo como uma máquina, convertendo-o em força pura. Para alguns, trata-se do “poder da Idade das Trevas”.

Num primeiro volume que oferece um bem desenhado e muito tocante twist, a grande questão que se levanta sobre Shiki, um rapaz pré-destinado que aguardava por um milagre, é esta: “Irá tornar-se um herói lendário ou dedicar-se à destruição como um rei demónio?”. Conhecemos ainda Elsie Crimson, Pirata Espacial de Armadura; Laviria, a arqui-inimiga de Rebecca e da matemática das visualizações; somos apresentados ao Ether, que leva a que as nações vivam debaixo de terra; vislumbramos, ainda que à distância e no campo do mito, a Mother, “uma mulher maior do que qualquer um dos planetas deste universo”; e entramos para a Guilda dos Aventureiros, que terá um papel relevante nos próximos volumes.
“Edens Zero 2” (Distrito Manga, 2024) vê chegar-se à frente Xiao Mei, a “narradora de serviço”, que explica o estranho e futurista final reservado pelo volume de estreia: “No fundo, o «tempo» não significa muito nesta história”.
Rebecca, Shiki e Happy partem em busca da Mother, a deusa do espaço, com uma primeira paragem no planeta Norma. É lá que vive o professor Weisz, um ancião que salvou Rebecca e Happy no passado, alguém tido como um benfeitor mas que não se coíbe de apontar uma pistola quando se sente em perigo.

É neste volume que é introduzido o enigmático conceito de Papa-Tempos: “Os papa-tempos são calamidades espaciais que criam duas versões da história e semeiam o caos”. Um conceito que merece uma atenção extra no posfácio final, onde a autora pede paciência ao leitor por este prenúncio de viagens no tempo: “Vocês devem estar a questionar-se porque será que usei uma ideia destas, mas só posso dizer que vai ser importante no futuro. Espero”.
Dois volumes que deixam no ar uma promessa de todo o tamanho, sobretudo se tivermos em conta a última nota de Hiro Mashima: “Bom, até este volume, o meu foco principal foi desenvolver o universo. A partir do próximo, vou centrar-me muito mais na história em si”. Excelente arranque de série.











Sem Comentários