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Curtas da Estante: “Iniciação na Literatura Portuguesa” | António José Saraiva

Por Deus Me Livro · Em 01/10/2025

Curtas da Estante é uma rubrica de divulgação do Deus Me Livro.

Sobre o livro

Nova edição com prefácio de Ernesto Rodrigues.

Aquele que foi um dos autores da mais consagrada e divulgada história da literatura portuguesa apresenta neste volume um trabalho que, de certa forma, poderá ser interpretado como uma síntese, mas é marcado simultaneamente pela diferença e pela continuidade.

Longe de interessar apenas aos estudantes de literatura, “Iniciação na Literatura Portuguesa” é uma obra de referência indispensável para todos quantos queiram conhecer a produção literária do país, desde os seus primórdios até ao final do século XX.

Entre o estudo da época dos cancioneiros e um pequeno comentário a dois romances de José Saramago, António José Saraiva não esquece naturalmente os grandes nomes de Fernão Lopes, Luís Vaz de Camões, António Vieira ou Fernando Pessoa, mas também não ignora escritores como Jorge Ferreira de Vasconcelos, Filinto Elísio, José Anastácio da Cunha ou Teixeira de Queirós, injustamente esquecidos ao longo dos tempos.

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Sobre o autor

António José Saraiva ensaísta, investigador e crítico literário, irmão do historiador José Hermano Saraiva, nasceu em a 31 de Dezembro de 1917, em Leiria, e morreu a 17 de Março de 1993, em Lisboa, depois de vários anos de exílio. Licenciou-se com um “Ensaio Sobre a Poesia de Bernardim Ribeiro”, apresentado na Faculdade de Letras de Lisboa, em 1938, tendo-se doutorado na mesma faculdade, em 1942, com uma tese sobre “Gil Vicente e o Fim do Teatro Medieval”. Afastado da docência universitária por incompatibilidade com o sistema pedagógico e ideológico em vigor, foi professor do ensino secundário. Mercê do seu envolvimento na acção cívica e política – António José Saraiva assumiu, entre 1944 e 1962, a militância no Partido Comunista Português – foi, depois de ter apoiado a candidatura do general Norton de Matos, em 1949, preso e impedido de ensinar. Durante os anos seguintes, viveu exclusivamente das suas publicações e da colaboração em jornais e revistas. No exílio desde 1960, foi, em França, bolseiro do Collège de France e investigador do Centre National de Recherche Scientifique. Professor catedrático na Universidade de Amsterdão, regressou a Portugal apenas em 1974, após a Revolução de 25 de Abril, passando a desenvolver actividade docente na Universidade Nova e na Universidade Clássica de Lisboa. Ao longo deste percurso profissional, António José Saraiva publicou uma vastíssima e importante bibliografia, considerada de referência nos domínios da História da Literatura e da História da Cultura portuguesas, amadurecida quer na edição de obras e no estudo de autores individualizados (Camões, Correia Garção, Cristóvão Falcão, Almeida Garrett, Herculano, Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto, Gil Vicente, Eça de Queirós, Oliveira Martins, entre outros), ressaltando-se nesse âmbito os vários estudos que dedicou a “Os Lusíadas” ou ao Padre António Vieira, quer através da publicação de obras de grande fôlego como a “História da Cultura em Portugal” ou, de parceria com Óscar Lopes, a “História da Literatura Portuguesa”. Por outro lado, a capacidade de rever com lucidez e audácia os seus próprios princípios hermenêuticos conferem à sua obra ensaística um caráter paradigmático no que diz respeito à necessidade de questionamento que deve subjazer ao labor do estudioso. António José Saraiva legou, desse modo e também por uma postura contestatária, manifestada na expressão de um olhar crítico sobre a sociedade sua contemporânea, à posteridade, uma imagem de inconformismo face a todo o poder que tenda para uma institucionalização – mau grado o reconhecimento unânime de que gozava, como modelo cívico, junto da opinião pública recusou, por exemplo, receber em vida qualquer galardão oficial -, ou a todo o saber que não contenha em si a premissa fecunda da dúvida e da novidade.

Editora: Gradiva

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