Continua a bom ritmo a publicação da mais poética e ecológica série mangá disponível nas livrarias, num formato mais largo que o das colecções regulares de mangá com o selo da Devir. “Crianças do Mar 3” (Devir, 2025), o terceiro volume num total de cinco, adensa as relações, desentendimentos e desconfianças entre as personagens, nos tempos que se sucedem ao desaparecimento de Sora nas águas escuras e profundas do mar.
Jim caiu em desgraça, na mira dos pais de Ruka que descobrem que este introduziu cirurgicamente um termómetro na barriga de Sora, fazendo-o mergulhar nu a grandes profundidades. Quanto a Ruka, tem neste momento um meteoro dentro de si, além de uma promessa cirúrgica deixada por Sora antes do seu desaparecimento: “Se o Umi alguma vez precisar desse meteorito, quero que o cortes da tua barriga e lho dês”.

Num volume que atravessa o Festival do Retorno dos Mortos, acompanhamos a viagem de Ruka, Umi e Anglade na direcção do oceano, seguindo as orientações deste meteorito que actua como um GPS marítimo. Conhecemos o início da história de Umi e Sora, mas também a história de Jim e Anglade, num recuo temporal de mais de uma década, onde mais uma vez não Jim não fica bem na fotografia – desta vez pelos olhos de “Dede”, médica, curandeira, adivinha e também navegadora, que tem neste volume um merecido protagonismo.
Enquanto vão surgindo testemunhos de várias pessoas sobre estranhos fenómenos marítimos, entra em cena a figura que grupos dissidentes procuram descobrir, e que se acredita estar implicada nas mudanças sofridas pelo mar – além de poder ter as respostas às muitas questões levantadas: “De onde realmente vieram o Sora e o Umi? Quem são eles? E para onde vão agora? E para onde iremos nós?”. Respostas nos próximos e derradeiros dois volumes.











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