A premissa de “Central Park” (Gradiva, 2024), thriller psicológico do francês Guillaume Musso, até que nem era má: “Alice, uma impllacável e respeitada agente da polícia parisiense, acorda algemada a um estranho, num banco do Central Park, sem qualquer memória dos acontecimentos da noite anterior. Atordoada e com manchas de sangue na camisa, tenta desesperadamente reconstruir os factos”.
Nas 24 horas nas quais decorre a acção deste livro, Alice vai pegando nos vários fragmentos que vai recolhendo, qual alcoólica em raros momentos de lucidez, seja o serão anterior passado com as amigas nos Campos Elísios, do outro lado do oceano, ou aquilo que o companheiro de algemas vai disparando, como ter estado a tocar, também na noite anterior, num bar em… Dublin.

As hipóteses para a falta de memória e saltos geográficos aparentemente impossíveis vão de rapto a um cocktail bem servido de drogas, mas o clique dá-se quando Alice recorda, por entre a bruma, a perseguição a um serial killer que julgava estar morto.
Guillaume Musso mantém um ritmo frenético neste livro que dura um breve e agitado dia mas, pelo caminho, vai transformando o thriller num drama de mau gosto, capaz de figurar num daqueles livros da Harlequin vendidos no quiosque ou na papelaria da esquina. Ao pé de livros como “A Vida Secreta dos Escritores” ou “A Rapariga e a Noite”, “Central Park” é uma tremenda desilusão.











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