A profissão de carteiro foi, durante muito tempo, extremamente importante na nossa sociedade, uma vez que era o facilitador na difusão da comunicação, da interacção social e da ligação entre nós e o mundo exterior, entre familiares, amigos, namorados e muitos outros. A escrita de cartas foi, durante muito tempo, uma forma de expandir esperanças, emoções e de aproximar distâncias e afectos – um hábito hábito que tem vindo a ser diluído nas actuais práticas comunicativas. Hoje, os carteiros continuam a desempenhar um papel essencial na sociedade, mas existem muitas outras formas de veicular a comunicação. Actualmente, é raro ansiarmos pela chegada de uma carta ou de um postal, uma vez que a mensagem chega por outras vias.
“Cartas Felizes” (Nuvem de Letras, 2024) é uma deliciosa história de um velho e solitário carteiro que, todas as manhãs, “sai de casa com a sacola cheia. Pega na bicicleta e dá início à sua jornada”, vai de porta em porta, toca à campainha e apenas diz “Esquilo, carta vai”, “Ouriço, carta vai”, “Pica-Pau, carta vai” – e assim sucessivamente. Assim são os dias do velho carteiro, pedalando pela floresta a distribuir cartas aos animais. Todos recebem cartas: cartas misteriosas, mágicas, apaziguadoras, pedidos de desculpa, convites para jantar, apresentação de soluções para os problemas. No entanto, as cartas são sempre escritas pela mesma pessoa. Quem escreveria estas magníficas cartas? Um dia, o carteiro recebe uma. Fica muito nervoso, pois é a primeira vez que o velho carteiro recebe uma carta. Quem terá escrito ao carteiro?

“Cartas Felizes” é um livro é encantador, emocionante, adorável e indutor de diálogo, de reflexão sobre o valor da empatia, da solidariedade e da importância de viver em comunidade. Um livro que alerta, de forma subtil, para a relevância do cuidar e da atenção, assim como a importância de saber escutar.
As fantásticas ilustrações de Daniel Montero Galán, em tons quentes, reforçam a ideia de mistério, de força entre a comunidade, envolvendo o leitor num ambiente acolhedor. Galán combina magistralmente o traço simples e as formas geométricas, dando alegria e vida às personagens, sempre elegantes e com um olhar simpático e emotivo, enquanto brinca com diferentes perspectivas, dando ritmo à narrativa. “Cartas Felizes” foi vencedor do Moonbeam Children’s Book Awards e do International Latin Book Award 2017.

Susanna Isern combina a sua paixão pela escrita com o seu amor pela psicologia, já que é professora de Psicologia da Aprendizagem na Universidade e uma das principais escritoras infantis em Espanha. Publicou quase uma centena de livros, traduzidos em dezoito idiomas, com mais de meio milhão de exemplares vendidos em todo o mundo. Recebeu importantes prémios nacionais e internacionais e algumas das suas obras foram adaptadas para o teatro. A maioria das suas publicações trata de temas relacionados com a educação e crescimento pessoal das crianças.
Daniel Montero Galán nasceu em Madrid, no ano de 1981. É ilustrador autodidacta, tendo publicado já perto de trinta livros. A sua obra tem estado patente em várias exposições individuais e colectivas. Foi finalista em diversos certames – International Book Awards, Golden Pinwheel…– e seleccionado para a Fundación Cuatrogatos, Bienal de Bratislava ou para o Catálogo Iberoamérica Ilustra.











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